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sábado, 22 de novembro de 2008

Ramalho Eanes: “educação pode corrigir atrasos”

Ramalho Eanes defendeu, em Santarém, que "só o investimento na educação permitirá corrigir os atrasos de Portugal, país que chegou tarde à democracia e ainda não teve tempo para gerar uma classe média empreendedora e uma sociedade civil forte, e está agora a sofrer os efeitos nefastos do deslumbramento consumista que provocou o endividamento das famílias e do Estado".
O antigo Presidente da República foi o orador convidado para o encerramento do ciclo de conferências "As raízes falam, falam as raízes, organizado pela Comissão concelhia do PS de Santarém.
A conferência quase encheu o grande auditório da Escola Superior Agrária, numa iniciativa que, mais uma vez, extravasou o âmbito partidário, para trazer para o debate e reflexão pessoas dos mais diferentes quadrantes políticos.
Ramalho Eanes falou do "papel da sociedade civil na construção da unidade europeia e na recuperação do país num quadro promissor e ameaçador da mundialização". Apontou o exemplo de Espanha que, segundo um relatório do Deutshe Bank, dentro de apenas dois anos poderá ter o mesmo valor do PIB per capita da Alemanha. "A Educação foi o factor que mais prosperidade trouxe à Espanha, com mais investimento no ensino secundário e universitário", afirmou Ramalho Eanes, sublinhando que "37 por cento dos espanhóis, entre os 25 e os 34 anos já possuem cursos superiores, comparativamente aos 20 por cento da Alemanha".
Eanes apontou igualmente os exemplos de desenvolvimento de "outros povos europeus e do Japão, que há muito perceberam que o desenvolvimento económico assenta no capital humano e não no investimento de capital ou tecnológico".
Ramalho Eanes sublinhou que "desde o 25 de Abril, Portugal progrediu muito na qualidade de vida da população e em todos os sectores, da educação à saúde, segurança social, estradas e comunicações". "Vivemos hoje numa democracia consolidada, em que não cabem golpes, não há ameaças externas, não há império a defender; temos condições agora para sermos um povo civil, pacífico, tolerante e democrático". Porém, defende que "o futuro de Portugal tem um desafio grande que é a falta de um ideal colectivo que nos motive individual e solidariamente". Considera, porém, que "esse futuro é alcançável se houver um investimento numa educação generalizada, e uma cuidada e rigorosa definição estratégica das políticas, com um empenhamento determinado e competente de todos os sectores – Estado, mercado e sociedade civil". Considera que "temos um Estado fraco desde o 25 de Abril, com governos muito fracos, muitas vezes mais preocupados com os resultados eleitorais do que com o futuro do País, e com sub-sistemas de saúde, educação e justiça que se transformaram em corporações que tendem a satisfazer os interesses dos seus elementos em lugar de desempenharem as funções sociais que lhes competem". Prevê que o desemprego vai agravar-se e, sendo um problema de todos, exige respostas do Governo que garantam a dignidade de todos".

"É urgente o despertar dos intelectuais para quebrar corporativismos"
Ramalho Eanes defende que uma sociedade civil forte depende da existência de uma burguesia endinheirada que ponha os filhos a estudar. "É urgente o despertar dos intelectuais para a participação na sociedade civil, pois são eles que conduzem à quebra dos corporarivismos que travam o desenvolvimento".
Fonte: O Ribatejo

domingo, 2 de novembro de 2008

Guerra à avaliação em quase cem escolas


Educação.

Cada vez mais professores de agrupamentos e escolas isoladas assumem-se contra a avaliação. A ministra disse ontem que os protestos se resumem a alguns professores, mas até a presidente da melhor pública do ano a contraria Professores dizem que estão prontos para não progredirDe norte a sul, 92 escolas e agrupamentos, segundo uma lista elaborada pela Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), já tomaram posição, em reuniões e moções de professores, pedindo a suspensão da avaliação. E os sindicatos e movimentos independentes do sector afirmam que esta é só a ponta do icebergue. A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considerou ontem, em Anadia, que a contestação se resume a alguns professores e não às suas escolas: "Há professores que não querem ser avaliados e já o sabemos há muito tempo, mas o País não entenderá que os professores sejam uma classe à parte, pelo que terão de estar sujeitos a regras", disse.Melhor pública do ano na lista

A verdade é que não foi preciso procurar muito para encontrar uma presidente de conselho executivo que desmentisse essa leitura dos factos. Precisamente a que lidera a Escola Secundária Infanta D. Maria, de Coimbra, a melhor pública do ano segundo os rankings publicados esta semana pelo DN, e uma das 92 com moções contra a avaliação."Não é verdade que os professores não queiram ser avaliados. Querem é ter outra avaliação. Não esta, que só lhes está a tirar tempo para ensinarem", disse ao DN Rosário Gama. "Na minha escola, 90 assinaram. Só não assinaram três que não estiveram na reunião. Eu não o fiz porque, nas minhas funções, nunca poderia recusar--me a avaliar um professor que o quisesse. Mas como professora teria assinado e aplicado a decisão", disse, acrescentando "não ter dúvidas" de que muitos pedidos de aposentação na sua escola decorrem deste caso. "Prontos" para consequências

Ontem, a ministra da Educação lembrou também o que acontecerá a quem rejeitar a avaliação: "A consequência imediata é que, não sendo avaliado, o professor não reúne as condições para progredir na carreira", avisou. Mas os sindicatos e movimentos dizem que os professores estão preparados para tudo."O que a senhora ministra disse está na lei [Estatuto da Carreira Docente] e os professores conhecem-na", disse ao DN José Ricardo, vice-secretário-geral da FNE. "Os professores estão prontos a assumir esse risco, tal como sabem que quando fazem greve não vão receber esse dia. A senhora ministra é que, limitando-se a esse tipo de comentários, parece estar a assobiar para o lado, a fazer de conta que não vê", acusou . "Desde o início que avisámos que este modelo, além de injusto, é irrealizável. E isso está a verificar-se agora nas escolas, onde o descontentamento é geral, dos conselhos executivos aos próprios avaliadores. O que dirá a ministra se, daqui a alguns meses, 70% ou 80% dos professores tiverem tomado esta decisão?""Isto é uma bola de neve que está a crescer todos os dias", acrescentou Mário Machaqueiro, da Associação de Professores em Defesa da Educação, um dos vários movimentos independentes de docentes que surgiram nos últimos meses. "Não duvido que rapidamente terá dimensões nacionais. Convém lembrar que só estamos no 1.º período de aulas.Os blogues como motor da intervenção dos professoresBlogosfera. Do humor à denúncia de casos concretos, são cada vez mais as páginas criadasQuando começou a fazer cartoons protagonizados pela ministra da Educação e os seus secretários de Estado, Antero Valério, professor de Artes e Multimédia no ensino secundário, "nunca" pensou que se tornaria numa referência da classe."Comecei a fazer desenhos na escola, que mostrava aos meus colegas. Alguns foram tirando fotocópias. Quando dei por mim, estava a receber e-mails com as minhas tiras vindos de todo o País. Foi aí que decidi criar o blogue Anterozóide [antero. wordpress. com]", conta o professor, que se prepara para lançar um livro com base nestes trabalhos. "Será uma edição própria. Para já, serão mil exemplares", mas vamos ver como corre". Nos últimos anos, a blogosfera foi literalmente invadida de páginas pessoais de professores, com os problemas da educação como pano de fundo. Da denúncia (A Educação do meu Umbigo, de Paulo Guinote) à comédia leve de Antero Valério, há blogues para todos os gostos, onde um caso passado numa pequena escola pode ganhar dimensão nacional e onde se podem discutir e seleccionar previamente os temas dos cartazes e autocolantes que se vão levar à próxima manifestação.Os blogues tiveram também um papel decisivo na criação e divulgação de muitos movimentos independentes de professores que, de outra forma, teriam conhecido dificuldades em ganhar expressão. Hoje, nem os principais sindicatos dispensam a sua consulta."Se calhar, parte da explicação dos 100 mil que estiveram na manifestação [de Março] está nos blogues", diz o professor cartoonista. - P.S.T.Fenprof e movimentos juntos em manifestaçãoAvaliação. Partes puseram diferenças de lado para dar força à 'manif' de dia 8A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e três dos principais movimentos independentes do sector - a Associação de Professores em Defesa da Educação (APEDE), o Movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP) e a PROmove - divulgaram ontem um comunicado conjunto onde anunciaram ter posto de lado as divergências que têm marcado o seu relacionamento nos últimos tempos em nome da "necessidade de enfrentar a ofensiva sobre a escola pública", que dizem estar a ser movida pelo Governo. A principal consequência deste entendimento é a adesão destas estruturas à manifestação nacional do próximo dia 8 de Novembro, em Lisboa, convocada pela "plataforma" de sindicatos do sector. Os movimentos, que tinham agendado um protesto próprio para dia 15, não afastam a possibilidade de manterem alguma acção nesse dia, mas à partida, segundo disse ao DN Mário Machaqueiro, da APEDE, "já não deverá ser uma manifestação".Nas últimas semanas, o diálogo entre as partes chegou a extremar-se, com os movimentos a responsabilizarem os sindicatos pelo "memorando de entendimento" assinado em Abril com o Ministério da Educação, que permitiu a avaliação simplificada de 12 mil professores no último ano lectivo e a generalização do modelo este ano, embora ainda sob forma experimental. Mário Nogueira, secretário--geral da Fenprof, tinha por seu turno acusado estes grupos de promoverem um discurso "anti-sindical", que cultivava "divisões" entre os professores."Nós mantemos a intenção de apontar críticas aos sindicatos sempre que nos pareça que a sua actuação é questionável", frisou Mário Machaqueira. "Mas considerámos que, na situação actual, com o que está a acontecer nas escolas com a avaliação, é oportuno que se enfrentem as políticas ministeriais numa base de unidade", explicou.O presidente da direcção da APEDE destacou também o "o empenho que os sindicatos têm demonstrado para ouvir os problemas dos professores nas escolas".

Fonte: DN online

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

“Férias grandes levam a perder conhecimentos”


O título desta notícia fez-me ler com mais atenção o artigo, que entre outras coisas refere que:
a)Os comportamentos anti-sociais dos jovens aumentam e os conhecimentos perdem-se durante as férias de Verão;
b) As férias escolares do Básico e do Secundário são demasiado longas;
c) Os jovens, em especial os de famílias mais pobres, têm demasiado tempo livre e muito pouco em que o ocupar. Um dos estudos citados revela que 80% das crianças de meios desfavorecidos afirmaram não ter nada para fazer fora da escola;
d)As férias longas podem levar os alunos a perderem competências adquiridas durante o ano lectivo, sendo que "nos piores casos estas perdas foram equivalentes a um mês de tempo escolar". Estas são mais acentuadas na matemática e ortografia e menos notórias na leitura. Também neste aspecto, os jovens de classes mais desfavorecidas são os que mais sofrem;


Ora bem, todos sabemos que as férias nos trazem algum distanciamento, e ainda bem, do trabalho que por rotina fazemos ao longo do ano. Será que alguém está convencido que durante o tempo lectivo não acontecem exactamente as questões levantadas neste estudo? Perguntem aos alunos, às pessoas em geral, no final do ano lectivo se sabem as matérias do início do ano e verão os resultados. A aprendizagem não é um saco infinito e sem fundo, está-se sempre a perder a ganhar novos conhecimentos e competências. "As perdas são reais", reconheceu Joaquim Sarmento, ao JN, acrescentando que, no entanto, se "resumem a um núcleo de competências mais ligado à memória, algo que no currículo escolar português não tem um papel central". Mas este é um aspecto que me parece saudável e até aconselhável, para que, como se costuma dizer “se reforcem as baterias”. A proposta desta instituição britânica aconselha a redução d as férias de Verão para apenas quatro semanas, distribuindo o resto do tempo de forma mais equilibrada ao longo do ano. Claro que quem faz uma proposta destas não percebe do que está a falar. Em que altura fazem os alunos os exames e as provas de acesso à universidade? Quando se fazem as reuniões de preparação do ano lectivo seguinte? Além disso, “uma solução que Joaquim Sarmento considera difícil de aplicar em Portugal, sobretudo devido às características do clima. "Com o calor, a partir de meados de Junho, é muito difícil manter as condições de aprendizagem", assegura. E com o actual calendário escolar, Sarmento acredita que uma maior distribuição do tempo de férias traria problemas às famílias, "porque a vida não está organizada para terem as crianças em casa nessas alturas".”
Questiono-me sempre porque é que na educação se parte sempre dos princípios errados para resolver “problemas” que surgem? Partamos do princípio que é verdade o que este estudo traz a lume. É á escola que cabe resolver estes problemas com prejuízos evidentes para os alunos, famílias e professores, ou à sociedade, ao Ministério da Educação e da Segurança Social, autarquias e famílias que o devem fazer? As crianças precisam cada vez mais da família, de estreitar os laços que se perdem durante o ano com a azáfama do trabalho, precisam de aprender com a família. E a responsabilidade das instituições deste País em encontrar soluções para as tais famílias de meios desfavorecidos? Para estas, que nem férias têm, provavelmente a melhor solução seria nem “fechar” a escola. Faça-se um exame de consciência, e assuma-se de uma vez por todas as responsabilidades de cada um. A escola não é um depósito e muito menos consegue resolver todos os problemas, que são cada vez mais, das nossas crianças e jovens.

domingo, 17 de agosto de 2008

Educação: Alunos com mais coragem e empatia copiam menos


Columbus, Estados Unidos, 16 Ago (Lusa) - Os estudantes universitários com melhores níveis de coragem, empatia e honestidade não terão copiado, nem o deverão fazer em exames, indica uma investigação da Universidade norte-americana de Ohio.

Estes estudantes também têm a tendência para não acreditar que os seus colegas são habitualmente desonestos nos testes.

"As pessoas que não copiam têm uma perspectiva mais positiva dos outros. Eles não notam muita diferença entre a sua atitude e a dos restantes", notou Sara Staats, co-autora do estudo e professora de psicologia.

Os recentes estudos realizados em universidades garantem que copiar é uma prática muito comum.

"Os estudantes que não copiam parecem ser uma minoria e têm muitas oportunidades para verem os seus pares copiarem e receberem recompensas com um pequeno risco de castigo. Vemos o não copiar como uma forma de heroísmo diário no contexto académico", acrescentou a investigadora.

Depois de avaliadas a coragem, a honestidade e a empatia, os investigadores separam os alunos com melhores níveis dos que apresentaram piores resultados.

Os denominados "heróis académicos" estavam na lista com melhores níveis e referiam maior culpa se tivessem copiado em comparação com os alunos com piores resultados nas três categorias analisadas.

"Os heróis não inventam desculpas, nem dizem que é aceitável copiar porque muitos outros o fazem", referiu ainda Sara Staats.

Para a investigadora, os resultados obtidos indicam haver um bom público-alvo para divulgar mensagens contra a desonestidade académica.

PL.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-08-17 02:25:02

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Duas agressões por semana


Fonte: Correio da Manhã

O Ministério Público registou nos primeiros seis meses deste ano, só no distrito judicial de Lisboa, 57 casos de violência nas escolas – o que corresponde a uma média de duas agressões por semana.
Segundo dados oficiais do Ministério Público divulgados pela Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGD), a maioria dos casos (34) ocorreu nos primeiros três meses do ano e 23 no segundo trimestre, com maior incidência em Almada – 21 casos registados neste círculo judicial, que abrange as comarcas do Seixal e de Sesimbra. Segundo apurou o Correio de Manhã, as principais vítimas são professores e auxiliares agredidos por encarregados de educação.
Este é o primeiro balanço sobre violência no meio escolar divulgado pelo Ministério Público no final de um ano lectivo, o que acontece na sequência da entrada em vigor da Lei de Política Criminal, em Janeiro, que atribuiu prioridade à investigação deste tipo de crimes.
No início do ano o procurador-geral da República, que chegou a criticar a ministra da Educação por minimizar o problema, deu instruções às procuradorias distritais para solicitarem às escolas que denunciassem todos os factos susceptíveis de integrar crimes de natureza pública no meio escolar.
No entanto, e até ao momento, só são públicos os dados do distrito judicial de Lisboa, que abrange 42 comarcas, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira, através da habitual avaliação semestral do trabalho do Ministério Público.
A violência em meio escolar foi assumida desde o início do mandato como uma preocupação do procurador-geral, mas o assunto só ganhou contornos mediáticos quando uma aluna de uma escola do Porto foi apanhada, num vídeo colocado na net, a agredir uma professora. Os docentes reuniram-se com Pinto Monteiro e este foi chamado para uma reunião com o Presidente da República, que terá ficado chocado com as imagens.
Após este episódio – que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, voltou a desvalorizar, considerando tratar-se de uma situação rara – o procurador-geral da República exortou os conselhos executivos das escolas a denunciarem todas as situações de violência, garantiu ter conhecimento de que há alunos que vão armados para as escolas e mostrou-se determinado a acabar com a impunidade neste tipo de ilícitos.
OS ALERTAS DO PROCURADOR
"Um miúdo de 15 anos que bate no professor e a directora, com medo, não participa, é uma situação tremenda." - Pinto Monteiro, Outubro 2007
"Tenho elementos seguros de escolas em que os alunos vão armados com pistolas de 6,35 e 9 milímetros." - Pinto Monteiro, Abril 2008
"A violência escolar funciona como uma espécie de embrião para níveis mais graves de criminalidade." - Pinto Monteiro, Junho 2008
CINQUENTA IDOSOS VIOLENTADOS
Pinto Monteiro tem repetido que "os idosos não têm voz" e, por isso, pediu às autarquias que comunicassem ao Ministério Público todos os factos susceptíveis de integrarem crimes de natureza pública praticados contar pessoas vulneráveis. Seis meses depois das instruções do procurador-geral, 51 casos de violência contra idosos foram registados na área do distrito judicial de Lisboa. Já a violência contra profissionais de saúde, outra das matérias que segundo a Lei de Política Criminal é de investigação prioritária, apenas deu origem a seis inquéritos, quatro dos quais no primeiro trimestre de 2008.
CASO DO PORTO COM CASTIGOS PARA ALUNOS
As imagens correram mundo – foi através de um vídeo do YouTube que o caso foi conhecido – e resultaram em semanas de discussão sobre o fenómeno da violência nas escolas. A agressão de uma aluna a uma professora da Escola Carolina Michaelis, no Porto, por causa de um telemóvel, resultou na transferência de escola da aluna e do colega que filmou a cena. O jovem foi castigado com vinte horas de serviço comunitário, a mesma pena aplicada a dois colegas que impediram o auxílio à professora. A agressora pediu desculpa à docente na audiência preliminar no Tribunal de Menores de Matosinhos e vai cumprir trinta horas de trabalho comunitário.
APONTAMENTOS
SENSIBILIZAÇÃO
Em Setembro, a Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap) irá realizar acções de sensibilização junto dos encarregados de educação para combater a violência escolar. A Confap, que também foi recebida pelo PGR, defende a proibição de uso de telemóveis nas salas de aula.
ESCOLAS PROBLEMÁTICAS
Segundo um estudo realizado pelo Observatório para a Segurança Escolar, as 32 escolas mais problemáticas, que foram alvo de medidas excepcionais de apoio da parte do Governo, localizam-se na Grande Lisboa (17) e no Grande Porto (15).
SOS PROFESSOR
A linha SOS Professor, criada no início de Setembro pela Associação Nacional de Professores, registou 208 pedidos de ajuda nos primeiros seis meses de funcionamento.
"PROBLEMAS SOCIAIS TÊM REFLEXOS NA ESCOLA" (Mário Nogueira, Secretário-geral da Fenprof)
Correio da Manhã – A maior parte das queixas de violência escolar é da Margem sul do Tejo. Há alguma justificação?
Mário Nogueira – É uma zona onde a taxa de desemprego é muito alta, com muita precariedade laboral e social. A existência de problemas complexos leva a actos de delinquência. É natural que, num contexto social complicado, os problemas se reflictam depois na escola.
– Já conheciam estas situações?
– A noção que temos é de que é uma zona em que é complicado trabalhar. Muitos dos professores que vão para Almada, Barreiro e Setúbal são jovens. Por vezes vê-se situações muito complicadas em que viviam, de pânico até.
– O número de queixas na Procuradoria-Geral da República está dentro do esperado?
– São números preocupantes, mas provavelmente estão aquém do que será a própria realidade. Haverá ainda muitas situações em que não são apresentadas queixas, mas não deixa de ser um número elevado. Qualquer caso de violência numa escola é sempre preocupante. E sabemos que o procurador-geral da República está preocupado.
– O que é que falta fazer para aumentar as denúncias?
– A escola ainda é muito burocrática. É preciso facilitar as denúncias. Mas já há muitos casos resolvidos dentro da escola.
NOTAS
BULLYING: UM EM CADA CINCO É VÍTIMA
Nas escolas básicas portuguesas um em cada cinco alunos é vítima de bullying, que inclui agressões e insultos. AAssociação Nacional de Professores lançou uma linha de apoio às vítimas
TELEMÓVEIS: NAS ESCOLAS
Um estudo do ISCTE revelou que 60 por cento dos alunos mantém o telemóvel ligado quando está na escola. A maioria diz que o telemóvel só é útil se estiver constantemente ligado
C. BEIRA: MÃE AGRIDE EDUCADORA
Uma educadora de um jardim-de-infância de Celorico da Beira foi agredida pela mãe de uma criança de seis anos por ter alertado para a falta de cuidados higiénicos com o menino

Ana Luísa Nascimento / Edgar Nascimento

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Educação terá investimento

Fonte: 30.07.2008 - 15h19 Lusa
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou hoje que o Governo irá fazer um investimento de 400 milhões de euros na área da Educação nos próximos sete meses, nomeadamente na instalação de Internet em todas as salas de aulas.

"São 400 milhões de euros que vamos investir nas escola portuguesa", afirmou José Sócrates, durante a cerimónia de apresentação do "Computador Magalhães", o primeiro computador portátil com acesso à Internet que será fabricado em Portugal.

Um dos projectos, adiantou, visa a instalação de Internet em todas as salas de aula. Além disso, irá ser aumentada a velocidade da banda larga nas escolas para um mínimo de 48 megabites por segundo.

O Governo pretende também, segundo o primeiro-ministro, instalar uma rede de vídeo-vigilância nas escolas para aumentar a segurança e pretende criar um novo cartão estudante, "para acabar com o dinheiro nas escolas". "O maior investimento nos próximos sete meses será na Educação", salientou.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Bullying envolve 65% dos alunos


Quase dois terços dos alunos (64,7%) do 3º ciclo da Grande Lisboa estão envolvidos em fenómenos de bullying, de acordo com um estudo divulgado ontem na 4ª Conferência Internacional sobre Violência Escolar e Políticas Públicas, a decorrer até amanhã em Lisboa.
A investigação conduzida pela psicóloga Sónia Seixas, da Escola Superior de Educação João de Deus, envolveu 680 alunos dos 7º, 8º e 9º anos de 11 escolas de Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Sintra. Dos inquiridos, apenas 35,3 por cento disseram não estar envolvidos em bullying, enquanto 30,1% dizem ser vítimas, 11,6% se assumem como agressores e 23% apresentam um padrão misto. O estudo conclui que as vítimas têm níveis mais baixos de auto-estima, sentem-se rejeitados e têm pouca confiança em si, enquanto entre os agressores se passa exactamente o oposto.
'É preciso sensibilizar a escola para este fenómeno, que causa grande sofrimento. Em última análise, as vítimas pensam no suicídio', alertou Sónia Seixas.
Na sessão de abertura da conferência, que trouxe a Lisboa especialistas de 51 países, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considerou que a violência escolar é um fenómeno residual, frisando que '90 por cento dos casos ocorre em cinco por cento das escolas'. A governante sublinhou ainda que não se pode confundir 'violência com indisciplina'.OpsiquiatraDaniel Sampaio refutou a ideia da ministra: 'Quando se diz que indisciplina nada tem a ver com violência não estamos no bom caminho. A indisciplina cria condições favoráveis ao aparecimento de violência.'
Já o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, que nos últimos meses denunciou a violência escolar, reafirmou que o fenómeno não pode ser ignorado, mas considerou que 'a situação é hoje melhor do que há um ano', destacando o aumento do número de denúncias.
QUAIS OS SINAIS DE ALARME
A investigadora Sónia Seixas aponta diversos sinais a que os pais, professores e funcionários das escolas devem estar atentos para detectar casos de bullying. No caso das vítimas, os livros, o material escolar e outros bens aparecem muitas vezes estragados ou desaparecem. Ferimentos, cortes, arranhões ou danos na roupa podem também ser sinais de bullying. Muitas vezes são alunos isolados nos intervalos, que podem procurar mais a proximidade com o professor ou com outros adultos. Receosos de ir à escola, têm queixas frequentes de dores de barriga ou de cabeça e manifestam pouco interesse pela escola.
Os agressores revelam muitas vezes raiva descontrolada, são impulsivos e zangam-se facilmente; Retiram satisfação do medo que provocam às vítimas, gostam de provocar os pais e os professores e envolvem-se precocemente em comportamentos anti-sociais.

NOTAS
O QUE É O BULLYING
Conceito que descreve actos de violência física ou psicológica de carácter sistemático que causam sofrimento físico ou emocional.
REALIDADE ESCONDIDA
Bullying não-físico passa despercebido e as queixas são poucas
Bernardo Esteves

terça-feira, 17 de junho de 2008

Escolas exigem saber de doenças


Médicos e pais estão indignados com a obrigatoriedade de apresentação de um atestado de robustez física e de ausência de doenças infecto-contagiosas para efeitos de matrícula nas creches e escolas. Francisco George, director-geral da Saúde, diz mesmo que está disposto a mudar a lei: "Não deve ser exigido nenhum atestado e não pode haver discriminação. Se for preciso retocar elementos legislativos, faremos isso." Fonte: CORREIO DA MANHÃ

Este assunto intriga-me... estes direitos que todos temos. Há uns anos exigia-se a prova de tuberculina para qualquer função pública, e com isso erradicou-se a tuberculose. E estávamos seguros de que podíamos ir a qualquer sítio, por exemplo comer descansados. ( Estou , claro que a exagerar) Acabou-se com isso e o que está a acontecer? Casos de tuberculose por todo o lado. Nas escolas juntam-se centenas de crianças, convivendo entre eles e com os profissionais que trabalham nas escolas. Parece-me que toda a gente quer uma população saudável, a aprender saudavelmente, a conviver saudavelmente... não é? Pois é... os Pais e médicos deviam era andar indignados com a falta de condições higiénicas, com rastreios que não se fazem, com as crianças que não têm apoio familiar, que vivem em condições de desigualdade de oportunidades, sem higiene oral, com a gravidez das menores, etc, etc... è claro que se uma criança tem uma doença infecto contagiosa não deve nem pode frequentar a escola. Isso é discriminação? Quando tratada, em tratamento ou curada volta à escola. A escola já é discriminadora em muitos campos e ninguém se preocupa...

"Parem lá com o medo", diz Pinto Monteiro


Não há ninguém impune em Portugal desde que sou procurador", afirmou hoje no Parlamento o Procurador-Geral da República. Pinto Monteiro reiterou esta ideia em resposta aos deputados da Comissão Parlamentar de Educação, que o chamaram para falar sobre a violência nas escolas.
A questão do fim da impunidade é cara a Pinto Monteiro. Durante a audiência lembrou que em tempos recebeu uma carta de um professor, afirmando que "a única lei que existe em Portugal é a lei da impunidade". E que foi esta afirmação que o levou a dizer em Março passado que era uma prioridade acabar com a violência escolar e com todos os tipos de violência e que as situações tinham de ser denunciadas. "O meu objectivo é diminuir o sentimento de impunidade. É criar a noção de que quem comete ilícitos pode ser apanhado e julgado", referiu hoje.
Para o PGR, a mediatização das suas palavras levaram a que recebesse muito mais denúncias de professores, pais e alunos das situações mais variadas ocorridas nas escolas. Apesar de não ter dados estatísticos para apresentar aos deputados, Pinto Monteiro "pensa que os casos de violência diminuiram", porque "quando há consciência, o ilícito diminui".
"Parem lá com o medo" foi a mensagem que pretendeu passar, referindo-se a que "o limite das queixas vinha do medo de represálias, do medo de desprestigiar as escolas e do medo de serem inspeccionados a nível superior". Por isso, reforçou que é importante os conselhos executivos das escolas denunciarem as situações.
Frisando que há que distinguir o que é indisciplina do que é violência, Pinto Monteiro afirmou que o ministério público não tem que punir questões disciplinares: "Longe de mim tal ideia!". Mas referiu que se um aluno partir a cabeça a um professor com uma cadeira ou lhe riscar o carro, a situação deve ser participada: "um ilícito criminal é um ilícito criminal, seja numa escola ou num café".
Esta audição inseriu-se num conjunto de trabalhos desenvolvidos pela Comissão Parlamentar de Educação sobre a violência nas escolas. Os trabalhos começaram em 2007 e terminam na próxima terça-feira com a audição da ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, no Parlamento.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Educação: Falta de apoio até aos 3 anos e pobreza são principais obstáculos no ensino infantil


"As famílias mais pobres e portanto as crianças mais pobres não têm a riqueza dos contextos que lhes permitem o desenvolvimento", explicou Isabel Alarcão, coordenadora do estudo "A educação das crianças dos 0 aos 12 anos", realizado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).
Sendo a pobreza apontada como o principal inimigo da educação, Isabel Alarcão defendeu hoje, na apresentação do estudo, que é fundamental "organizar contextos que ajudem as famílias e as crianças a ter ocasião para o seu desenvolvimento e há que conjugar políticas assistenciais à família com politicas educativas".
Isabel Alarcão deu o exemplo das creches e do ensino pré-primário para defender que "para além de uma intenção assistencial", passe a existir "uma intenção educativa" e que se criem "condições para as crianças realizarem, actividades que sejam actividades que as desenvolvam".
O estudo revela também que são as crianças com menos idade que sofrem de maior falta de apoio no ensino.
"Nas escolas nota-se alguma falta desse apoio, até porque as necessidades também são muito grandes, mas vai havendo algum apoio. Mas onde se nota mais falta é sobretudo entre os 0 e os 3 anos que é um período crítico do desenvolvimento da criança e portanto as crianças não podem ser abandonadas ou pouco cuidadas porque é um período vital", lembrou a coordenadora do estudo.
O presidente do Conselho nacional da Educação, Júlio Pedrosa, afirmou por seu turno que o apoio que existe para crianças dos 0 aos 3 anos é sobretudo na esfera da Segurança Social, "enquanto e as condições para o desenvolvimento das crianças em ligação com a sua educação não fazem parte do nosso modelo".
"Há uma recomendação do estudo no sentido de essas duas dimensões sociais, de saúde e de desenvolvimento educativo, passarem a ser consideradas", disse Júlio Pedrosa, ressalvando, no entanto, que "não é apenas nas mãos do Governo que deve ficar o reforço dos apoios a essas crianças".
"O facto de o estudo nos dizer que esta é uma idade crítica do desenvolvimento das crianças, que o modelo que escolhemos não é o modelo mais adequado e que faz sentido repensá-lo, e que também não é apenas da esfera da responsabilidade do Governo, que é das famílias, que é da sociedade em geral, creio que são também contributos a ponderar", sublinhou.
O estudo do CNE recomenda a fusão dos 1º e 2º ciclos do ensino básico para acabar com "transições bruscas", mantendo apenas um professor nos 5º e 6º anos, progressivamente apoiado por outros docentes em pelo menos duas áreas.
O novo ciclo de seis anos sugerido pelo estudo pretende "neutralizar as transições bruscas identificadas ao nível da relação dos alunos com o espaço-escola, as áreas e os tempos de organização do trabalho curricular, a afiliação dos professores, o seu papel de aluno e com o desenvolvimento gradual das competências esperadas".
Em entrevista à Agência Lusa em Fevereiro, a ministra da Educação anunciou que, no âmbito da revisão do currículo do 2º ciclo, o Governo vai concentrar algumas disciplinas para reduzir o número de docentes a leccionar em cada turma.
A ministra explicou que as escolas nunca puseram em prática um mecanismo que permitia que um só professor leccionasse um conjunto de disciplinas à mesma turma, como Matemática e Ciências ou Língua Portuguesa e Inglês, por exemplo, apesar de o currículo prever essa possibilidade.
O estudo apresentado hoje reconhece, no entanto, riscos com a fusão dos dois primeiros ciclos do básico: uma possível descoordenação das equipas multidisciplinares e uma eventual influência disciplinar e académica dos actuais professores do 2º ciclo (alunos dos 06 aos 09 anos) sobre os do 1º (10 e 11 anos), entre outros.
O documento recomenda ainda a profissionalização das amas, uma melhor oferta de ocupação de tempos livres e uma articulação entre serviços sociais e serviços educativos.
SMS/MLS.
Lusa/Fim
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.2008-05-20 14:35:01

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Tribunal Constitucional declara inconstitucional artigo do novo ECD


ACÓRDÃO Nº 184/2008

Processo nº 614/2007
Plenário
Relatora: Conselheira Maria Lúcia Amaral




Acordam em Plenário no Tribunal Constitucional


I
Relatório

1. O pedido e o seu objecto
Ao abrigo do disposto nos artigos 281º, nº 1, alíneas a) e b), e nº 2, alínea f), da Constituição, e dos artigos 51º, nº 1, e 62º, nº 1 da Lei nº 28/82 (Lei do Tribunal Constitucional), veio um grupo de vinte e cinco Deputados à Assembleia da República pedir ao Tribunal Constitucional a apreciação e declaração, com força obrigatória geral:
a) da inconstitucionalidade e da ilegalidade da norma contida no artigo 46.º, n.º 3, do Estatuto da carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 139-A/90, de 28 de Abril, na redacção dada pelo artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19 de Janeiro;
b) da inconstitucionalidade das normas contidas nos artigos 10.º, n.º 8, e 15.º, n.º 5, alínea c), do Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19 de Janeiro, que altera o Estatuto da carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário, bem como o regime jurídico da formação contínua de professores.

O teor das normas questionadas é o seguinte:
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domingo, 30 de março de 2008

e vid ent mente

Um livro para ler e reler
Evidentemente
No verso: “As coisas da educação discutem-se, quase sempre, a partir das mesmas dicotomias, das mesmas oposições, dos mesmos argumentos. Anos e anos a fio. Banalidades. Palavras gastas. Irritantemente óbvias, mas sempre repetidas como se fossem novidade. Uns anunciam o paraíso, outros o caos – a educação das novas gerações é sempre pior do que a nossa. Será?! Muitas convicções e opiniões. Pouco estudo e quase nenhuma investigação. A certeza de conhecer e de possuir “a solução” é o caminho mais curto para a ignorância. E não se pode acabar com isto? (…) Este livro nasce de uma necessidade de silêncio. Vivemos governados por um excesso de estímulos, amplificados por uma sociedade que encontra na permanente exposição a melhor forma de se esconder, isto é, de não se pensar. Estranho modo de vida, este, que nos leva de ruído em ruído, preferindo o “aborrecimento de viver” à “alegria de pensar” (Gaston Bachelard). Precisa-se, neste “tempo detergente”, de um pacto de silêncio, de uma pausa que permita ver para além da poeira dos dias que correm. Pensar exige tranquilidade, persistência, seriedade, exigência, método, ciência.” (Da Introdução) É uma obra de referência obrigatória para todos os estudiosos da educação portuguesa dos últimos 150 anos, mas que facilmente pode interessar públicos mais vastos que os educadores e professores. São 50 textos e 50 imagens que revisitam a nossa história numa linguagem simples, interessante, directa e cativante. Muitos dos leitores vão rever-se nas imagens que evocam a sua infância. Os livros por onde estudaram. Os lugares por onde andaram.Nesta obra extraordinária, de arranjo gráfico excepcional, ficamos a conhecer melhor quem somos, as raízes do nosso atraso, os círculos viciosos onde nos temos vindo a perder. Evidentemente.

UM CD-ROM MONUMENTAL
Este livro segue acompanhado de um CD-ROM cuja coordenação foi assegurada em conjunto com Filomena Bandeira. Nele constam:• Repertório da Imprensa de Educação e Ensino – Trabalho publicado em 1993, que apresenta fichas analíticas de 530 periódicos dedicados a temas de educação e ensino.• Dicionário de Educadores Portugueses – Livro publicado em 2003 que contém 900 biografias de homens e mulheres que se dedicaram ao ensino e à educação.• Catálogo da Imprensa de Educação e Ensino – Base de dados com cerca de 2300 registos bibliográficos de periódicos pedagógicos, escolares, associativos e institucionais.• Bibliografia Portuguesa da Educação – Base de dados com cerca de 5000 registos bibliográficos de títulos essencialmente da responsabilidade dos autores incluídos no Repertório e no Dicionário.Estamos perante um enorme volume de dados e de informações, que abrange, fundamentalmente, o período que vai da Revolução Liberal (1820) ao 25 de Abril (1974). O utilizador pode ler cada uma destas obras, isoladamente, ou realizar pesquisas simples e cruzadas designadamente a partir de nomes, de títulos e de palavras-chave. O CD-ROM contém diversas funcionalidades, sendo possível gravar e imprimir todos os documentos, bem como os resultados das pesquisas efectuadas.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Indisciplina e violência nas escolas II


É fantástico como o Ministério na pessoa do Senhor Secretário Valter Lemos demonstra total desorientação nas suas decisões. Veja-se como de ânimo leve diz que as escolas podem, se tiverem casos graves de indisciplina contratar psicólogos e mediadores de conflitos. Trata-se de uma «resposta na hora» para um vídeo que surgiu no You Tube, um site que permite a colocação e visualização de pequenos filmes aos seus utilizadores. Será que não percebem que não é depois de acontecerem os problemas que se resolve esta questão da indisciplina? Não estão as escolas há muito à espera de mais técnicos, Psicólogos, Assistentes Sociais, Auxiliares de Acção educativa e os tais mediadores de conflitos, mas para resolver as questões numa perspectiva de prevenção? Esquecem-se que existem outros problemas à espera de resolução? O tal abandono escolar por falta de condições sociais, as crianças com necessidades educativas especiais, a falta de condições de instalações e de trabalho? Só se recorre a mediadores de conflitos porque se assume que não houve ou não se conseguiu a prevenção. O Norte é para "Norte", troquem de bússola... há GENTE que sabe em Portugal , porque não pedem conselhos? A Bússola nunca se engana, aponta sempre para o Norte.



"O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, anunciou terça-feira que as escolas com problemas graves de indisciplina podem apresentar ao Ministério da Educação (ME) uma proposta para a contratação de técnicos como psicólogos e mediadores de conflitos.
«Se uma escola tiver um grande problema de indisciplina generalizada pode apresentar à Direcção Regional de Educação uma proposta para o reforço dos meios técnicos», afirmou Valter Lemos."

quarta-feira, 26 de março de 2008

O Professor Profissional


"O professor profissional – como o médico ou o engenheiro nos seus campos específicos – é aquele que ensina não apenas porque sabe, mas porque sabe ensinar. E saber ensinar é ser especialista dessa complexa capacidade de mediar e transformar o saber conteudinal curricular (isto é, que se pretende ver adquirido, nas suas múltiplas variantes) – seja qual for a sua natureza ou nível[1] − pela incorporação dos processos de aceder a, e usar o conhecimento, pelo ajuste ao conhecimento do sujeito e do seu contexto, para adequar-lhe os procedimentos, de modo a que a alquimia da apropriação ocorra no aprendente – processo mediado por um sólido saber científico em todos os campos envolvidos e um domínio técnico-didáctico rigoroso do professor, informado por uma contínua postura meta-analítica, de questionamento intelectual da sua acção, de interpretação permanente e realimentação contínua. Aprende-se e exerce-se na prática, mas numa prática informada, alimentada por velho e novo conhecimento formal, investigada e discutida com os pares e com os supervisores − ou, desejavelmente, tudo isto numa prática colectiva de mútua supervisão e construção de saber inter pares.(Roldão, 2005c). ´


[1] Recordo a conhecida afirmação de Jerome Bruner, em 1960, de que é possível ensinar seja o que for em qualquer idade desde que se utilizem processos intelectualmente honestos."


Função docente: natureza e construção do conhecimento profissional
Maria do Céu Roldão
Universidade do Minho, Centro de Estudos da Criança

segunda-feira, 24 de março de 2008

Educação: CONFAP


Em comunicado, a Confederação Nacional das Associações de Pais "condena todos os actos de indisciplina praticados por alunos nas escolas", tal como o ocorrido naquela escola secundária.
No documento, a CONFAP lança "um apelo a todos os pais para que exerçam o seu poder paternal junto dos seus filhos, educando-os no sentido da responsabilidade e do comportamento que devem ter em sala de aula, o seu local privilegiado de aprender".
"Apela-se aos pais para que imponham regras muito firmes quanto ao uso de telemóveis pelos seus filhos", afirma a CONFAP, que reconhece que muitos dos conflitos existentes no interior das escolas se devem ao uso indiscriminado de telemóveis.
Para a CONFAP, o desaparecimento da família tradicional e da escola tradicional estão intrinsecamente ligados à actual "crise da autoridade" e à "crise da educação" com que a sociedade se debate.
"A sua resolução não passa pela restauração da autoridade perdida, mas pela compreensão da História e procura de novos caminhos (...), pela reflexão sobre o funcionamento democrático das instituições e o exercício do poder no seu interior compatível com os valores da igualdade e da liberdade", afirma o comunicado da CONFAP.
PF.
Lusa/Fim
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.2008-03-23 16:15:01

quarta-feira, 19 de março de 2008

Educação entregue a mais de cem mil "incapazes"?

Maria L. Travassos

2008-03-13 - Ao que parece, a educação dos nossos filhos está entregue a cerca de cem mil desinformados, a acreditar nas afirmações da ministra. E digo mais de cem mil porque, apesar de ter sido esse o número de professores contabilizados a participarem na "Marcha da Indignação", muitos foram os que, pelas mais diversas impossilidades, não estiveram presentes fisicamente em Lisboa, mas que acompanharam de alma e coração a luta dos seus colegas. Sendo verdade o que Maria de Lurdes Rodrigues afirma - que os professores se manifestam contra políticas educativas que não conhecem verdadeiramente - tem a ministra da Educação razão em considerar que a sua avaliação é extremamente importante, atrevendo-me a adiantar que, nesse caso, devem ser todos eles avaliados com insuficiente. Insuficiente, porque se todos estes professores não conhecem as políticas educativas, se não conhecem o Estatuto que lhes foi imposto por este governo, se não conhecem o processo da Avaliação de Desempenho, se são manipulados, não estão em condições de educar os jovens deste país. Como professora do Ensino Básico (no topo da carreira e, consequentemente, sem possibilidade de progredir mais) considero que quem não está em condições de continuar a dirigir este ministério é Maria de Lurdes Rodrigues, pois apesar de socióloga, não é capaz de fazer a leitura dos números e do sentimento de profissionais que estão todos os dias nas escolas, que lidam com os reais problemas sociais que se reflectem na vida dos alunos e consequentemente na sua vida escolar. Esta ministra deveria ouvir os professores, respeitá-los, e aproveitar a sua experiência para implementar políticas educativas que conduzam a um verdadeiro sucesso escolar. Não é com políticas facilitadoras, que escondem os verdadeiros resultados escolares dos alunos portugueses, que se consegue uma melhor prestação dos nossos jovens quando entrarem para o mercado de trabalho. É com políticas integradoras, de efectivo apoio àqueles que o necessitam, criando condições de trabalho e envolvendo os professores numa reforma que eles próprios defendem. São os professores, os primeiros a defenderem a necessidade duma reforma do sistema, em que se dignifique a carreira docente, um ensino público de qualidade e em que se criem mecanismos de apoio aos alunos que o necessitam. Ao contrário, o que se verifica é que nunca, como agora, houve tão pouco apoio. As imprecisões da ministra da Educação Não é verdade que os professores estejam contra a sua avaliação. Também eles defendem que é necessário premiar o mérito. Mas fazer uma avaliação em que estão em causa dois anos (2007/2009) e que a legislação que a rege só é publicada em Janeiro último, que o Conselho Científico que deve dar orientações às escolas, só é formado em finais de Fevereiro, como podem as escolas ter os instrumentos de avaliação aprovados em Abril, e todos os professores de uma escola avaliados em meados de Maio? Sim, todos! Porque a informação que chega às Escolas, é que sete mil têm que ser avaliados até ao final do ano lectivo para poderem progredir. Mas todos os outros, apesar da sua avaliação só finalizar em 2009, têm que ser objecto de duas observações de aulas para essa avaliação. Não é bem a mesma coisa do que se afirma frente às câmaras. Não damos aulas? Ou não dormimos?! E quem ensina os alunos? E a avaliação do ano 2007/08 resume-se a dois meses? Ou faz-se uma avaliação atabalhoada por birra de uma ministra? Não seria mais sensato dedicarmos este ano a preparar uma avaliação de acordo com a especificidade da função docente, como realmente acontece nos outros países (e não de acordo com o CIADAP) e iniciá-la no próximo ano? Não deveremos focalizar a nossa atenção nos alunos em vez de estarmos todos a trabalhar para a nossa própria avaliação? Bem, somos pessoas responsáveis, apesar dos comentários dos muitos analistas que, ao que parece, “conhecem melhor” a realidade educativa do que nós. Temos trabalhado para os nossos alunos. Apesar de só termos no nosso horário duas horas semanais para reuniões, temo-nos desdobrado e passado horas infindáveis nas escolas sem que ninguém nos pague horas extraordinárias. Não seria caso da Inspecção Geral de Trabalho começar a visitar os estabelecimentos de ensino, como faz às empresas privadas que exploram os seus trabalhadores? Ou será que, como o nosso patrão é o Estado, podemos ser “obrigados” a trabalhar ilegalmente? Disse a ministra, na Grande Entrevista, que não é verdade que um professor de Educação Visual tenha que avaliar outro de Educação Física, já que aquele pode delegar competências. Faltou à verdade a senhora ministra, pois a delegação de competências só é possível fazer-se a partir de doze professores por avaliador, e nada tem que ver com a sua formação científico-pedagógica. Com a criação dos super-departamentos pode acontecer, que numa escola pequena, um professor de Língua Portuguesa tenha que avaliar um de Alemão. Como é natural esse professor dará a sua aula na língua germânica. Como pode um professor que não conhece essa língua avaliar se há correcção científico-pedagógica? Disse a ministra, na Grande Entrevista, ao ser questionada sobre a razão que a levou a contar, somente, os últimos sete anos para o concurso de professor titular, que a mesma se deveu ao facto de haver dificuldades com os registos biográficos nas secretarias das escolas. Faltou à verdade a senhora ministra, pois todas as escolas deste país têm de ter esses registos em dia, sendo eles assinados anualmente pelos professores, depois de devidamente confirmados. Esta injustiça fez com que professores, com cargos importantes nas escolas, ao longo da sua vida profissional, e que numa altura em que quiseram dar oportunidade aos mais novos de ocuparem esses cargos, para se dedicarem ao mais nobre trabalho que há numa escola, que é o de ensinar, fossem impedidos de aceder a professor titular por falta de pontuação (já que o que foi valorizado foram os cargos e não a actividade lectiva) e, agora, tenham de ser avaliados por professores titulares num escalão abaixo do seu. Se a moda pega, e o ministro da Administração Interna gosta, ainda vamos ter soldados a avaliar os generais! Disse Maria de Lurdes Rodrigues que está a trabalhar com os professores. Faltou mais uma vez à verdade. Ela reúne-se com o Conselho de Escolas que são formados por representantes dos Conselhos Executivos. Estes são obrigados a cumprir as orientações do ministério e apesar de transmitirem as preocupações dos seus colegas, não estão em condições de negociar, em nome deles. Aliás, outra das lutas dos professores é pela manutenção da gestão democrática das escolas, que também está em vias de extinção. As verdades de Maria de Lurdes Há uma verdade no discurso de Maria de Lurdes Rodrigues! Os professores estão descontentes porque têm que trabalhar mais horas e até aos sessenta e cinco anos. É verdade! Como podem os professores estar contentes, se são obrigados a passar mais horas em escolas que não têm condições de trabalho, em que os computadores não funcionam, onde não há um espaço para trabalhar em condições e que quando chegam a casa têm de pôr os seus computadores, os seus tinteiros ao serviço da escola, em horas que deveriam ser de descanso? Um conhecido cronista e comentador duma televisão privada diz-se indignado pelo facto de os professores estarem numa escola, dentro do seu horário de trabalho, e não quererem substituir um colega. Bem para este senhor, numa escola não há mais nada para fazer a não ser dar aulas. Possivelmente ele não prepara as suas intervenções e por isso diz e escreve tantos disparates! É lógico que para fazer o que faz, não sofre o desgaste dum professor que, de 45 em 45 minutos, trabalha com 25 jovens diferentes, cada vez mais irreverentes. É claro que, com um desgaste deste género, é extremamente difícil aguentar até aos 65 anos de idade, quando se é obrigado a trabalhar 45. É o meu caso. Não serão estas razões suficientes para o descontentamento dos professores? Será com políticas como esta que se consegue a melhoria do ensino?Não creio! Só mais uma coisa! Tenho orgulho na minha profissão e não me importo de ser professora dos netos de Miguel Júdice. Certamente, os meus colegas contribuíram para a educação dos seus filhos!

Petição


Educação: Petição com 11 mil assinaturas contra prova de ingresso entregue sexta-feira na AR
Lisboa, 13 Mar (Lusa) - Mais de onze mil professores subscreveram uma petição contra o exame de ingresso na carreira, a realizar por todos os docentes com menos de cinco anos de serviço, um documento que será entregue sexta-feira no Parlamento.

Na petição, que conta com cerca de 11.700 assinaturas, os professors alegam que o exame, introduzido pelo novo Estatuto da Carreira Docente (ECD), representa uma "violação de direitos constitucionais".
De acordo com a regulamentação do novo ECD, publicado em Janeiro do ano passado, todos os candidatos a professor terão de realizar, pelo menos, duas provas, ficando impedidos de aceder à carreira com uma classificação inferior a 14 valores em qualquer uma delas.
A prova de ingresso inclui um exame comum a todos os candidatos, no qual são avaliados o domínio da língua portuguesa e a capacidade de raciocínio lógico, além de um outro que irá testar os conhecimentos científicos e tecnológicos específicos da área disciplinar associada à formação académica dos candidatos e que estes querem vir a leccionar.
Além destes dois exames escritos, o acesso à profissão poderá ainda incluir uma oral ou uma prova prática nos domínios das línguas, ciências experimentais, tecnologias de informação e comunicação e expressões.
No final de Agosto do ano passado, o Ministério da Educação admitiu baixar a nota mínima de 14 valores, mas sublinhou que não é negociável a existência de provas para aceder à carreira, a partir de agora.
Este é um dos diplomas mais polémicos e contestados pelos sindicatos de professores, que consideram que a prova de ingresso pode constituir uma violação da Lei de Bases do Sistema Educativo, por ser um novo requisito habilitacional.
A referida legislação estabelece que "os educadores de infância e os professores do ensino básico e secundário adquirem a qualificação profissional através de cursos superiores organizados", não prevendo a existência de qualquer exame.
Dirigida ao presidente da Assembleia da República, a petição, que conta com o apoio jurídico da Federação Nacional do Ensino e Investigação (FENEI), pede ao Parlamento a análise e discussão desta matéria, de forma a "expurgar as irregularidades cometidas" na legislação aprovada pelo Governo.
JPB.
Lusa/Fim
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.2008-03-13 18:10:01

Educação sexual tarda a arrancar



O psiquiatra Daniel Sampaio lamenta a demora na aplicação de programas de educação sexual nas escolas, depois de o grupo de trabalho que coordenou ter apresentado um projecto ao Governo há seis meses.
«Precisamos cada vez mais de uma educação sexual em Portugal. Temos propostas que, infelizmente, ainda não foram postas em prática nas escolas. Não posso deixar de lamentar», declarou Daniel Sampaio durante uma sessão em Lisboa sobre gravidez na adolescência.
O coordenador do Grupo de Trabalho para a Educação Sexual nas Escolas recordou que foi entregue ao Ministério da Educação em Setembro do ano passado um relatório onde se definia um programa com os conteúdos mínimos e obrigatórios a abordar em cada ano de escolaridade.
Segundo a proposta, as escolas devem dedicar à sexualidade pelo menos uma aula por mês.
«Tem tardado a concretização no terreno das medidas propostas», lamentou Daniel Sampaio, apesar de reconhecer que há muitas escolas que «fazem um excelente trabalho» em matéria de educação sexual.
Segundo o programa proposto pelo Grupo de Trabalho, as sessões de educação sexual no 2º e 3º ciclos e no secundário devem abranger matérias como a fisiologia geral da reprodução humana, o ciclo menstrual e ovulatório, o uso de métodos contraceptivos e a prevalência e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, assim como as taxas e tendências da maternidade e aborto na adolescência.
No relatório final entregue em Setembro ao Ministério da Educação, o Grupo de Trabalho ressalva, no entanto, que «em nenhum caso o programa deverá basear-se apenas numa vertente médico-sanitária, pois é essencial que a escola ajude os seus alunos a desenvolverem um conjunto de qualidades que lhes permitam encontrar uma conduta sexual que contribua para a sua realização como pessoas».
Aliás, hoje, Daniel Sampaio destacou a importância de, a par com a educação sexual, fazer uma abordagem da problemática da saúde mental, da educação alimentar e do consumo de álcool e drogas.

O Saber, a Educação e o Ensino!


Arrogâncias e teimosias de uma tal Ministra... 2008-03-13 - Soube a definição na minha infância Mas perdi a memória Das coisas que só tinham importância Ditas a palmatória. Hoje Sei apenas gostar Duma nesga de terra Debruada de mar. Assim começava Miguel Torga um poema que hoje, passadas décadas, se impõe transcrever pela oportunidade e pela mensagem intrínseca que ele contém! E não é pela imposição da Escola, pela autoridade discricionária do Ministério nem pela intransigência de uma qualquer Ministra que um sistema se afirma e uma pedagogia ganha vínculo num contexto de confronto e de quezília! A questão é maior, mais profunda e enferma de visão distorcida de realidades que só os Professores, pela experiência acumulada e como intervenientes num processo podem discernir!... Senão, vejamos! Esta Ministra tem, como nunca nenhum governante teve, toda uma classe em protesto! A Escola saiu à rua, de norte a sul, para dizer, alto e bom som: basta!... Ao assumir as rédeas do Ministério da Educação foi fácil a Maria de Lurdes apontar os culpados do sistema e demonizá-los! Assim, pensou ela, faria as reformas sem oposição e com os pais e os alunos a servirem-lhe as intenções! Mas como governar contra aqueles que são o suporte do próprio sistema?! E da hostilização passou à desconsideração e os Professores indignaram-se com o desrespeito e o aviltamento!... Todos os dias a dita Senhora traz novas investidas! As Escolas já não sabem com que linhas se cosem pois a amálgama legislativa, numa ânsia desmedida de reformar, só trouxe confusão ao Ensino!... Não tem ela, todos os dias e de duas em duas horas, trinta pessoas no Gabinete a solicitarem a sua atenção mas têm os professores trinta alunos a cada hora e meia para quem têm de preparar aulas, corrigir testes e fichas, dar aulas e ainda servir de psicólogos, serem animadores culturais ou mediadores de conflitos! E ainda tem que sobrar tempo para reuniões atrás de reuniões até às nove da noite para debater, interpretar e im-plementar o sistema da Sra Ministra! Só lhes falta limpar as salas e varrer os pátios para que tudo pareça limpo!... E tudo isto, pasme-se, por umas poucas centenas de euros mensais (três vezes abaixo da Europa), que é quanto vale uma licenciatura com estágio em início de carreira!... E agora vem a avaliação!... Quem diz que os professores nunca foram avaliados ou não sabe o que diz ou di-lo por má fé e a Sra. Ministra mente!... E o Sr. Primeiro também mente!... Eu, em trinta e seis anos de profissão fiz dezenas de cursos e sempre com avaliação! Fui Bolseiro do Ministério da Cultura no estrangeiro e fui avaliado! Tive de frequentar centenas de horas de crédito para progredir na carreira e sempre com avaliação! Fiz relatórios e o Conselho Pedagógico avaliou-me e fui também avaliado pelos meus alunos e pela comunidade! E prestei contas às inspecções sobre o meu trabalho pedagógico! E cheguei a ter Bom porque trabalhei! Eu e milhares como eu! Ouviu Sra. Ministra?!... Trabalhei!... E quem é esta mulher, chegada à política sem mandato nem eleita por ninguém para se arrogar o direito de me denegrir, de apodar de preguiçosos toda uma classe que afinal a formou a ela e tantos da sua laia?!.. Ou esqueceu-se ou tem memória curta!... E agora vem a terreiro implementar uma avaliação em final do segundo período com uma grelha complexa e mal testada! E tudo para impedir a maioria dos professores de progredirem! E com o argumento falacioso e ridículo de que não havia avaliação! E ainda por cima com o desplante de colocar professores a avaliar professores, sem preparação, sem experiência, sem o mínimo daquela competência que se reconhecia aos antigos inspectores pedagógicos porque abalizados para o efeito!... É esta a bagunça que a Senhora Ministra criou e a que quer chamar Reforma! Então e ela?! Quem a avalia e a quem presta contas da sua teimosia, arrogância e incompetência?!... Tanto para dizer desta Senhora e tão pouco espaço pois tanto mal fez quem tão pouco tempo tem de governo! Só lhe falta, como diz Torga, pegar na palmatória e desancar o professorado a quem ela tem visceral aversão!... Eu, daqui do meu canto, também grito bem alto, solidário com a Escola que servi: Rua com a Ministra!... - Sra. Torre do Sino! Toque a finados porque estrebucha a moribunda e deu-lhe já o Professor a extrema unção!... - Pois Senhora Torre do Relógio! Na casa de Deus não têm protecção os mentirosos e aleivosos do sistema!... Eu, cá por mim, digo: va de retro!...