quinta-feira, 22 de maio de 2008

7 coisas para fazer com os seus filhos na Internet



Segundo o Eurobarómetro Especial "Safer Internet" (Internet Mais Segura), publicado em Maio de 2006, 56% dos pais portugueses nunca se senta com os seus filhos quando estes estão na Internet. A média europeia (EU25) é de 45%, mas nos países da Europa a 15 (EU15), apenas a França (57%) e a Grécia (75%), registam valores mais elevados. O que leva os pais portugueses a auto-excluirem-se de uma parte cada vez mais importante da vida dos seus filhos? Não sei, mas sei que não é dessa forma que eles vão estar mais seguros na Internet. Assim, aqui ficam algumas sugestões para partilhar a utilização da Internet com os seus filhos.




1. Comece pelo básico Considera-se info-excluído(a)? Se não usa a Internet ou se a usa raramente, comece por pedir ajuda aos seus filhos. Dica: os mais novos são geralmente mais pacientes e exasperam-se menos com as "nabices" dos pais. Peça-lhes para lhe explicar como se navega na Internet. Que o ajudem a criar uma conta de e-mail gratuito. E a perceber como funcionar com ela. Peça-lhes que o ajudem a criar uma conta no Messenger. E que lhe expliquem como funcionar com ele.




2. Telemóveis, leitores de mp3 e câmaras digitais Peça aos seus filhos para lhe ensinarem a usar uma função do seu telemóvel que você não usa. Provavelmente os seus filhos terão um leitor de mp3. Peça-lho emprestado. Peça-lhes para o ensinarem a operar com ele. Proceda do mesmo modo com a máquina fotográfica digital. Peça-lhes para lhe mostrarem e explicar como funcionam e o que se pode fazer em sites de armazenamento e partilha de fotografias.


3. Adira aos sites que os seus filhos usam regularmente Se tem crianças pequenas ou adolescentes e não sabe que sites visitam regularmente, pergunte-lhes. Diga-lhes que também quer aderir e peça-lhes uma visita guiada. Descubra com elas esses sites e deixe-se guiar pelo entusiasmo, descobrindo-os e deixando-os serem os seus guias, orientadores, professores e mestres-de-cerimónias. Peça-lhes para lhe mostrarem as funcionalidades principais e o que se pode fazer nesses sites.


4. Veja vídeos on-line com os seus filhos Peça aos seus filhos que lhe mostrem os vídeos mais engraçados que já viram on-line. E já agora, pergunte-lhes e peça-lhes que lhe mostrem o tipo de vídeos que mais gostam de ver on-line. E você? Interessa-se por algum tema em particular? Peça aos seus filhos para lhe darem uma ajuda a procurar vídeos sobre esse tema.


5. Pesquise para os seus filhos Agora que já sabe um pouco sobre o que os seus filhos gostam de fazer na Internet, procure também alguns sites que vão de encontro às preferências deles. Podem ser sites de jogos, podem ser músicas, vídeos, etc. Mostre-lhes os sites que lhes podem interessar e estimule-os a fazerem o mesmo consigo.


6. Jogue on-line com os seus filhos Existem diversas formas de se jogar on-line. As consolas como as Playstation e outras já se podem ligar à Internet. Por outro lado, existem jogos em sites que se pode jogar mexendo no rato e no teclado. Existem também outro tipo de jogos tipo tabuleiro, no Messeger, por exemplo, e outros ainda onde se podem formar equipas, construir coisas, fazer batalhas, conquistar territórios ou gerir uma equipa de futebol. Os seus filhos jogam on-line? Pergunte-lhes e, se jogarem, diga-lhes que também quer jogar. Se ainda não jogam, procurem em conjunto um jogo on-line para jogar.


7. Instale software de segurança Fala com os seus filhos sobre a segurança na Internet. Peça-lhes para lhe mostrarem que o computador dispõe das últimas actualizações de segurança do Windows e dos principais programas. E firewall, temos? E antivírus? E antispyware? E antiphishing? E como bloquear as irritantes janelas publicitárias? E antispam, temos? E filtro de conteúdos? Se o computador não estiver equipado com este tipo de software, siga os links anteriores e peça ajuda aos seus filhos na selecção de uma solução.


Artigo gentilmente cedido por Tito de Morais.
Tito de Morais é fundador do site MiudosSegurosNa.Net, um projecto que ajuda famílias, escolas e comunidades a promover a utilização ética, responsável e segura das novas tecnologias de informação e comunicação por crianças e jovens.

Internet: 10 conselhos para uma relação saudável


1. Descobrir e explorar a Internet em conjuntoTanto para a criança como para os pais é uma vantagem a descoberta em conjunto da Internet. Pesquisem sites animados e divertidos. Tentem, em conjunto, desenvolver uma atitude positiva e consciente face à exploração da Internet, que facilite a partilha, no futuro, de experiências positivas e negativas.

2. Concertar uma abordagem e definir regras para a utilização da Internet em casaEm conjunto com as crianças, tentem chegar a um acordo sobre as regras a aplicar na navegação on-line.Aqui ficam algumas dicas para começar:- Como tratar a informação pessoal (nome, morada, telefone, e-mail).- Como se comportar face aos outros utilizadores on-line (chat, e-mail, messenger).- Quais os sites e actividades que podem ser acedidos e explorados.

3. Encorajar a cautela quando são solicitados dados pessoaisÉ importante que os adultos tenham consciência que muitas páginas da world wide web para as crianças requerem o fornecimento de dados pessoais para o acesso a conteúdos. Estar consciente de quando e de que forma é apropriados revelar informação pessoal é vital. Uma norma simples que poderá ser instituída: não fornecer o nome, morada, número de telefone ou imagem sem prévio consentimento dos pais.

4. Falar sobre os riscos que se correm ao conhecer pessoalmente os “e-amigos”.Os adultos devem compreender que a Internet pode ser um espaço positivo para as crianças fazerem contactos e novos amigos. No entanto, para evitar experiências desagradáveis é importante que as crianças não se encontrem com estranhos que conheceram on-line sem o devido acompanhamento de um adulto, amigos ou outras pessoas de confiança. Em qualquer caso a criança deve sempre ter a aprovação dos pais.

5. Promover uma atitude crítica face aos conteúdosA maior parte das crianças utiliza a Internet para ampliar os seus conhecimentos sobre os conteúdos programáticos abordados na escola e ainda para pesquisar informações relacionadas com os seus interesses pessoais. Os utilizadores da Internet devem ter a consciência que nem toda a informação disponibilizada está correcta. Eduque as crianças para saberem como verificar a informação, comparando-a com fontes alternativas sobre o mesmo tema.

6. Não seja demasiado repressivo no que toca à exploração da Internet pelas crianças.As crianças podem deparar-se, por acaso, com conteúdos destinados a adultos. Mas se uma criança intencionalmente procurar sites com conteúdos desse âmbito lembre-se que é natural a pesquisa de temas proibidos. Aproveite ambas as ocasiões para abertamente discutir esses conteúdos com os mais pequenos e estabelecer regras para esses casos. Seja realista e justo na sua avaliação de como as crianças utilizam a Internet.

7. Reporte às autoridades material que encontre e que considere ilegal ou inapropriado. É vital que todos tenhamos responsabilidade pela world wide web e, com essa consciência, reportar matérias que consideremos ilegais. Ao fazer isto podemos prevenir actividades ilícitas on-line, como a pornografia infantil ou o aliciamento para fins de abuso sexual via chat, mail ou messager.

8. Encorajar a netetiqueta.A netetiqueta é o código informal de conduta para a Internet. Tal como no dia-a-dia, existem regras éticas informais sobre o comportamento e comunicação entre as pessoas na Internet. Estas regras incluem a boa educação, o uso de linguagem correcta, não gritar (escrever com maiúsculas) ou perseguir os outros. Também as crianças (assim como os adultos) não devem ler as mensagens de correio electrónico de outros ou copiar material protegido.

9. Saber como a criança utiliza a Internet.Saber guiar a criança no que respeita à utilização da Internet, salientando a importância de compreender como a utilizam e saber o que fazem on-line. Deixe que os mais pequenos lhe mostrem que sites gostam de visitar e o que neles exploram. Adquirir conhecimentos técnicos poderá também facilitar a tomada de decisões sobre o correcto funcionamento da Internet.

10. Relembrar que os aspectos positivos da Internet se sobrepõem aos negativos.A Internet é um excelente recurso educacional e recreativo para as crianças. Encoraje as crianças a serem conscienciosas e a explorarem todo o potencial da Internet.

Evolução do desenho infantil

Modo de expressão próprio da criança, o desenho constitui uma língua que possui o seu vocabulário e a sua sintaxe. Ao prazer do gesto de desenhar associa-se o prazer da inscrição, a satisfação de deixar a sua marca. Os primeiros rabiscos são quase sempre efectuados sobre livros e folhas aparentemente estimados pelo adulto, possessão simbólica do universo adulto tão estimado pela criança pequena.Ao final do seu primeiro ano de vida, a criança já é capaz de manter ritmos regulares e produzir seus primeiros traços gráficos, fase conhecida como dos rabiscos ou garatujas.O desenvolvimento progressivo do desenho implica mudanças significativas que, no início, dizem respeito à passagem dos rabiscos iniciais da garatuja para construções cada vez mais ordenadas, fazendo surgir os primeiros símbolos. Essa passagem é possível graças às interacções da criança com o acto de desenhar e com desenhos de outras pessoas. Na garatuja, a criança tem como hipótese que o desenho é simplesmente uma acção sobre uma superfície, e ela sente prazer ao constatar os efeitos visuais que essa acção produziu. Para tentarmos entender melhor o universo infantil muitas vezes tentamos interpretar os seus desenhos; devemos lembrar-nos que a interpretação de um desenho isolada do contexto em que foi elaborado não faz sentido.É aconselhável que os pais/professores facultem às crianças o contacto com diferentes tipos de desenhos e obras de arte, que elas façam a leitura das suas produções, que escutem a leitura de outros e ainda que sugira à criança que desenhe a partir de observações diversas (cenas, objectos, pessoas) para que possa ajudá-la a assimilar informações e assim enriquecer o seu grafismo. As crianças poderão assim reformular suas ideias e construir novos conhecimentos.O importante é respeitar os ritmos de cada criança e permitir que ela possa desenhar livremente, sem intervenção directa de adultos, explorando diversos materiais, suportes e situações.Alguns psicólogos e pedagogos, recorrendo a uma linguagem mais coloquial, utilizam as seguintes referências para fasear a evolução do desenho infantil:
Entre um e três anos.É a idade das famosas garatujas: simples riscos ainda desprovidos de controlo motor, a criança ignora os limites do papel e mexa todo o corpo para desenhar, avançando os traçados pelas paredes e chão. As primeiras garatujas são linhas longitudinais que, com o tempo, vão se tornando circulares e, por fim, se fecham em formas independentes, que ficam soltas na página. No final dessa fase, é possível que surjam os primeiros indícios de figuras humanas, como cabeças com olhos.
Entre três e quatro anos.Já conquistou a forma e seus desenhos têm a intenção de reproduzir algo. A criança também respeita melhor os limites do papel. Mas o grande salto é ser capaz de desenhar um ser humano reconhecível, com pernas, braços, pescoço e tronco.
Entre quatro e cinco anosÉ uma fase de temas clássicos do desenho infantil, como paisagens, casinhas, flores, super-heróis, veículos e animais, variando no uso das cores e buscando um certo realismo. As figuras humanas já dispõem de novos detalhes, como cabelos, pés e mãos, e a distribuição dos desenhos no papel obedece a uma certa lógica, do tipo céu no alto da folha. Aparece ainda a tendência para a antropomorfização, ou seja, a emprestar características humanas a elementos da Natureza, como o famoso sol com olhos e boca. Esta tendência costuma prolongar-se até aos sete ou oito anos.
Entre cinco e seis anosOs desenhos baseam-se sempre em roteiros com começo, meio e fim. As figuras humanas aparecem vestidas e a criança dá grande atenção a detalhes como as cores. Os temas variam e o facto de não terem nada a ver com a vida dela são um indício de desprendimento e capacidade de contar histórias sobre o mundo.
Entre sete e oito anosO realismo é a marca desta fase, em que surge também a noção de perspectiva. Ou seja, os desenhos da criança já transmitem uma impressão de profundidade e distância. Extremamente exigentes, muitas crianças deixam de desenhar se acharem que seus trabalhos não estão bonitos.Este artigo foi elaborado recorrendo à consulta de conteúdos presentes na página da Profala.

Ensine Matemática aos seus filhos sem que eles percebam


Um dos argumentos mais utilizados pelos alunos quando lhes dizem que devem estudar Matemática é "Mas quando é que eu vou usar isso na vida real?". Não se deixe intimidar por este argumento tão popular e comece desde já a usar estratégias que demonstram como a Matemática é uma presença constante no nosso quotidiano.Os pais sabem como são actualmente importantes e até essenciais os conhecimento de Matemática, uma vez que ela está mais presente do que nunca no nosso dia-a-dia, em praticamente todas as situações. É precisamente por estar tão presente que podemos "virar o feitiço" a favor das crianças e usar acções da vida diária para ensinar-lhes Matemática. E o melhor de tudo, elas sequer vão perceber que estão a aprender! Como a Matemática está em toda parte, o que é aqui sugerido são apenas alguns modos de introduzir este assunto no quotidiano das crianças. Seja criativo(a), descubra outras ideias, decerto que estas não lhe irão faltar. Se o(a) seu(ua) filho(a) gosta de desporto e, por exemplo, é adepto(a) de alguma equipa podemos combinar desporto e aprendizagem de Matemática. Como? Eis algumas sugestões:
Peça-lhe que registe os resultados dos jogos da sua equipa (que poderá ser efectivamente a "sua" equipa se ele(a) praticar algum desporto) e que obtenha alguns dados estatísticos a partir desse registo. Dados como, no caso do futebol/andebol:- Quantos remates à baliza fez a equipa? Desses, quantos falhou? E quantos concretizou? (Fazer cálculo semelhante para a equipa adversária.)- Quantos passes errados (perdas de bola) fez a equipa durante o desafio?- Qual a média de faltas cometidas por ambas as equipas durante o jogo?- Quantos cantos foram marcados? Desses, quantos constituiram oportunidades de golo?Como vê, as oportunidades de estudo são muitas e ficam ao seu critério. Pode levar este "estudo" um pouco mais longe e usar os dados obtidos para construir gráficos, que servirão para discutir estratégias e, por exmeplo, mostrar ao seu grupo de amigos (ou família) as capacidades de análise do(a) seu(ua) filho(a). Decerto que este(a) se sentirá orgulhoso(a).Atenção: Esta actividade não se limita ao futebol. Todos os desportos colectivos e individuais podem ser assim analisados (caso contrário, os comentadores desportivos teriam bem menos para dizer aos microfones...).Mas nem só de estatísticas vive este estimular da aprendizagem matemática... Se o(a) seu(ua) filho(a) pratica, por exemplo, basquetebol, podem recorrer à Matemática para:
Qual a trajectória mais correcta a dar a bola para que esta entre no cesto a partir de vários pontos do campo. (O mesmo é válido para um jogador de futebol que marque um livre e queira antever qual a melhor trajectória para ultrapassar a barreira adversária.)
De quantos pontos necessita a equipa para conseguir a classificação x? Quantas partidas terá de ganhar para o conseguir? Quantas poderá, na pior das hipóteses, perder?
Avaliar o desempenho (pontos concretizados) de um jogador de jogo para jogo. É simples; basta dividir o número de pontos marcados (p) pelo número de tentativas (t) feitas. Se, por exemplo, a Ana marcou 18 pontos (p=18) e fez 32 tentativas de lançamento (t=32), então, ela concretizou 56% das tentativas efectuadas (18/32 x 100 = 0,56 x 100 = 56%).Pode fazer-se o cálculo para todos os jogadores da equipa e seguir a evolução do seu desempenho.E, porque não, aplicar os conhecimentos de Geometria?
Pegue numa bola de futebol. Pergunte à criança que polígonos consegue identificar na bola. São polígonos regulares? Quantas diagonais "cabem" dentro desses polígonos?
Ainda usando a bola de futebol como ponto de partida, peça à criança que calcule a sua área e, se os seus conhecimentos forem suficientes, o seu volume.Como vê, as possibilidades são muitas. Explore-as.

OLHARES (Zambujal)


quarta-feira, 21 de maio de 2008

Educação: Actividades extracurriculares deviam integrar programa regular no 1ºciclo - Confederação Independente de Pais


Lisboa, 20 Mai (Lusa) - A Confederação Nacional Independente de Pais propôs hoje a integração das actuais actividades extracurriculares do 1º ciclo do ensino básico no programa regular deste nível de ensino.

"Deveriam deixar de ser actividades extracurriculares e passar tudo para a tutela da escola, com coordenação pedagógica feita pela escola", defendeu em declarações à Lusa Maria José Viseu, presidente da comissão instaladora da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE).

Actualmente, as actividades de enriquecimento curricular no 1º ciclo do ensino básico, gratuitas e facultativas, são promovidas pelos agrupamentos de escolas, ou por outras entidades como autarquias, associações de pais ou instituições particulares de solidariedade social.

Um estudo do Conselho Nacional de Educação (CNE) recomenda a fusão dos 1º e 2º ciclos do ensino básico (antigos escola primária e ciclo preparatório) para acabar com "transições bruscas", com apenas um professor, progressivamente apoiado por outros docentes em pelo menos duas áreas.

Apesar de discordar que a transição entre os 1º e o 2º ciclos seja hoje em dia traumática, a CNIPE defende que o ensino no 1º ciclo seja feito por um professor, ajudado por outros colegas, nomeadamente, na área artística.

"Neste momento, os alunos já convivem no 1º ciclo com mais de um professor por causa das actividades de enriquecimento curricular. Essas actividades deviam era deixar de ser extracurriculares", sustentou Maria José Viseu.

Segundo o estudo do Conselho Nacional de Educação, um ciclo de seis anos "visaria neutralizar as transições bruscas identificadas ao nível da relação dos alunos com o espaço-escola, as áreas e os tempos de organização do trabalho curricular, a afiliação dos professores, o seu papel de aluno e com o desenvolvimento gradual das competências esperadas".

Os autores reconhecem que o modelo "ideal, mais interessante e mais flexível" para os 1º e 2º ciclos estaria assente em "equipas multidisciplinares", lideradas por professores "especialmente vocacionados" para iniciar as crianças no domínio das literacias e professores mais orientados para o conhecimento disciplinar, embora ainda integrado.

"Este modelo permitiria articular a exigência da competência disciplinar face ao crescente desenvolvimento do conhecimento sem relegar para um plano secundário a importância do vínculo pedagógico, da relação de pessoalidade e do conhecimento interpessoal que a actual organização do ensino desestabiliza com a entrada do aluno no 2º ciclo do ensino básico", lê-se no documento.

Isto porque, analisando a situação actual, os autores constatam que existe um "contraste violento e repentino entre o regime de monodocência do 1º ciclo e o regime de pluridocência do 2º, "contraste que é acentuado e intensificado pelas diferentes lógicas organizativas que estruturam o trabalho escolar".

ARP/MLS

Lusa/fim

Educação: Falta de apoio até aos 3 anos e pobreza são principais obstáculos no ensino infantil


"As famílias mais pobres e portanto as crianças mais pobres não têm a riqueza dos contextos que lhes permitem o desenvolvimento", explicou Isabel Alarcão, coordenadora do estudo "A educação das crianças dos 0 aos 12 anos", realizado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).
Sendo a pobreza apontada como o principal inimigo da educação, Isabel Alarcão defendeu hoje, na apresentação do estudo, que é fundamental "organizar contextos que ajudem as famílias e as crianças a ter ocasião para o seu desenvolvimento e há que conjugar políticas assistenciais à família com politicas educativas".
Isabel Alarcão deu o exemplo das creches e do ensino pré-primário para defender que "para além de uma intenção assistencial", passe a existir "uma intenção educativa" e que se criem "condições para as crianças realizarem, actividades que sejam actividades que as desenvolvam".
O estudo revela também que são as crianças com menos idade que sofrem de maior falta de apoio no ensino.
"Nas escolas nota-se alguma falta desse apoio, até porque as necessidades também são muito grandes, mas vai havendo algum apoio. Mas onde se nota mais falta é sobretudo entre os 0 e os 3 anos que é um período crítico do desenvolvimento da criança e portanto as crianças não podem ser abandonadas ou pouco cuidadas porque é um período vital", lembrou a coordenadora do estudo.
O presidente do Conselho nacional da Educação, Júlio Pedrosa, afirmou por seu turno que o apoio que existe para crianças dos 0 aos 3 anos é sobretudo na esfera da Segurança Social, "enquanto e as condições para o desenvolvimento das crianças em ligação com a sua educação não fazem parte do nosso modelo".
"Há uma recomendação do estudo no sentido de essas duas dimensões sociais, de saúde e de desenvolvimento educativo, passarem a ser consideradas", disse Júlio Pedrosa, ressalvando, no entanto, que "não é apenas nas mãos do Governo que deve ficar o reforço dos apoios a essas crianças".
"O facto de o estudo nos dizer que esta é uma idade crítica do desenvolvimento das crianças, que o modelo que escolhemos não é o modelo mais adequado e que faz sentido repensá-lo, e que também não é apenas da esfera da responsabilidade do Governo, que é das famílias, que é da sociedade em geral, creio que são também contributos a ponderar", sublinhou.
O estudo do CNE recomenda a fusão dos 1º e 2º ciclos do ensino básico para acabar com "transições bruscas", mantendo apenas um professor nos 5º e 6º anos, progressivamente apoiado por outros docentes em pelo menos duas áreas.
O novo ciclo de seis anos sugerido pelo estudo pretende "neutralizar as transições bruscas identificadas ao nível da relação dos alunos com o espaço-escola, as áreas e os tempos de organização do trabalho curricular, a afiliação dos professores, o seu papel de aluno e com o desenvolvimento gradual das competências esperadas".
Em entrevista à Agência Lusa em Fevereiro, a ministra da Educação anunciou que, no âmbito da revisão do currículo do 2º ciclo, o Governo vai concentrar algumas disciplinas para reduzir o número de docentes a leccionar em cada turma.
A ministra explicou que as escolas nunca puseram em prática um mecanismo que permitia que um só professor leccionasse um conjunto de disciplinas à mesma turma, como Matemática e Ciências ou Língua Portuguesa e Inglês, por exemplo, apesar de o currículo prever essa possibilidade.
O estudo apresentado hoje reconhece, no entanto, riscos com a fusão dos dois primeiros ciclos do básico: uma possível descoordenação das equipas multidisciplinares e uma eventual influência disciplinar e académica dos actuais professores do 2º ciclo (alunos dos 06 aos 09 anos) sobre os do 1º (10 e 11 anos), entre outros.
O documento recomenda ainda a profissionalização das amas, uma melhor oferta de ocupação de tempos livres e uma articulação entre serviços sociais e serviços educativos.
SMS/MLS.
Lusa/Fim
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.2008-05-20 14:35:01

Arte: Obras da colecção do Deutsche Bank em exposição na Gulbenkian


Lisboa, 20 Mai (Lusa) - A Fundação Gulbenkian inaugura a 3 de Junho uma exposição com cerca de 120 obras escolhidas a partir das 50 mil peças que constituem a colecção de arte contemporânea do Deutsche Bank.
A colecção do Deutsche Bank surgiu nos anos 80, destinada apenas aos seus espaços e a aproximar os colaboradores e clientes da arte contemporânea.
Inicialmente estava centrada no desenho e fotografia e na arte da alemã, mas foi-se alargando à pintura e escultura e a artistas de outros países.
O conjunto que estará patente em Lisboa na sala de exposições temporárias da Fundação tem obras concebidas entre 1922 e 2008 e inclui desenho, fotografia, litografia, pintura e escultura.
Intitulada "Drawing a tension", a exposição inclui obras de Otto Freundlich, Thomas Hirschhorn, Olav Christopher Jennsen e Laria Lassnig, entre muitos outros artistas, está organizada em cinco núcleos e ficará patente até 7 de Setembro.
Jürgen Bock, curador, crítico de arte e o responsável por esta mostra, afirmou que a escolha das obras teve em conta a preocupação de mostrar os núcleos de trabalhos de melhor qualidade artística da colecção, com a presença dos artistas mais consagrados.
"Mas, ao mesmo tempo, a selecção foi muito inspirada pela arquitectura e o simbolismo do espaço de acolhimento, o edifício da Fundação", referiu.
Em declarações à Lusa, Bock explicou que o edifício da Gulbenkian foi construído no final dos anos 60 e que o maior grupo de trabalhos escolhidos também é dessa época.
A obra mais recente é de 2008 e é um trabalho de fotografia e pintura da autoria do artista plástico português Pedro Barateiro.
EO.
Lusa/Fim