quinta-feira, 5 de junho de 2008

Guernica em 3D revela uma nova dimensão da obra de arte de Pablo Picasso


Uma artista nova-iorquina transformou o painel pintado a óleo de Picasso, Guernica, numa versão em três dimensões que oferece uma nova forma de ver a obra de arte do pintor espanhol. O projecto é "uma oportunidade rara de ver a pintura sobre uma perspectiva única, revelando aspectos que normalmente passariam despercebidos ao público em geral", escreve a especialista em infografia digital.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Zenaida Yanowsky in Song Without Words

sábado, 31 de maio de 2008

Olhares


Educação: Sistema de quotas da avaliação de docentes







Educação: Sistema de quotas da avaliação de docentes "mais favorável" que o da Administração Pública - Sec. Estado
29 de Maio de 2008, 20:33
Lisboa, 29 Mai (Lusa) - O secretário de Estado adjunto e da Educação garantiu hoje que o sistema de quotas da avaliação de desempenho dos professores é "mais favorável" que o da Administração Pública, defendendo que este modelo é "fundamental" para garantir a diferenciação.
"Este é um regime claramente mais favorável do que o aplicado na Administração Pública. Sem mecanismos que forçem a diferenciação facilmente voltaríamos a cair em mecanismos de falsa homogeneidade", afirmou Jorge Pedreira, em conferência de imprensa, no Ministério da Educação (ME), em Lisboa.
Segundo a proposta de despacho dos Ministérios das Finanças e da Educação, as escolas vão poder atribuir um máximo de 10 por cento de classifições de "Excelente" e 25 por cento de "Muito Bom", mas só se tiverem nota máxima nos cinco domínios que compõem a avaliação externa, realizada pela Inspecção-Geral de Educação.
Na pior das hipóteses, com uma classificação de "Muito Bom" e quatro de "Bom" ou duas classificações de "Muito Bom", duas de "Bom" e uma de "Suficiente", as escolas poderão dar seis por cento de "Excelente" e 21 por cento de "Muito Bom" aos docentes avaliados.
As escolas cujos resultados na avaliação externa sejam diferentes dos previstos no despacho, bem como as que não foram objecto de avaliação, poderão aplicar um máximo de 5 por cento de "Excelente" e 20 por cento de "Muito Bom", as percentagens "padrão" previstas no documento.
Na Administração Pública, as quotas "padrão" são de 20 por cento de classificações de "Muito Bom" e cinco por cento de "Excelente". No máximo, poderão estas percentagens subir para 25 por cento e 10 por cento, respectivamente, para os serviços que alcançem a "classificação de mérito".
"Entendemos que mesmo as escolas que não atinjam a classificação máxima [Muito Bom] nos cinco domínios a ter em conta na avaliação externa deveriam ter uma majoração, e nesse sentido existem cinco possibilidades de majoração, cinco combinações de classificação", congratulou-se Jorge Pedreira.
Por outro lado, o governante sublinhou que nenhuma escola seria penalizada pelos resultados da sua avaliação externa, pelo que na pior das hipóteses os estabelecimentos de ensino com más classificações terão ao seu dispõr as quotas "padrão".
Relativamente às escolas que não foram ainda avaliadas, o secretário de Estado adiantou que cerca de metade estão nessa situação e que, por outro lado, "não fazia sentido prejudicar as escolas que tiveram boa classificação só porque outras não foram avaliadas".
"As escolas foram avaliadas por sua iniciativa", referiu.
Os sindicatos de professores rejeitam a existência de quotas na atribuição das classificações mais elevadas, que permitem progredir na carreira mais rapidamente, criticando a "limitação administrativa" do reconhecimento do mérito dos professores.
Na reacção à proposta do Governo, as três federações sindicais de professores recordaram que existem escolas com melhores condições de trabalho e inseridas em contextos sociais mais favoráveis do que outras.
"A avaliação externa tem em consideração o contexto em que a escola está inserida", garantiu Jorge Pedreira, exemplificando: "Uma escola com elevada taxa de insucesso pode ter feito uma enorme progressão nos últimos anos e isso vai reflectir-se no critério dos resultados".
O secretário de Estado adjunto e da Educação garantiu ainda que o Governo tem abertura para analisar as contra-propostas dos sindicatos, mas que "não se justifica aumentar as percentagens máximas nem a percentagem padrão".
Este diploma começou hoje a ser negociado entre os sindicatos e o Governo e será para aplicar no primeiro ciclo de avaliações: docentes avaliados este ano lectivo e no próximo.
MLS.
Lusa/Fim

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Olhares


Arte erótica


Parece unânime a opinião de que, o que define arte erótica de pornografia, são suas finalidades da publicação; se provocam a participação do público pela excitação sexual ou se solicitam a participação apenas indireta deste público, nas palavras de Bjr, solicitar uma cumplicidade a distância. Seguindo então o caminho por entre as acaloradas discussões que o assunto incitou (e excitou), chegamos ao que possivelmente é o que há de mais próximo de uma fronteira entre a arte, o erotismo e pornografia: o site americano Suicide Girls.

Fonte: obvious

O "graffiti" chegou às paredes do Tate Modern




29.05.2008 - 16h04 Filipa Cardoso
Da Itália ao Brasil, artistas de várias nacionalidades cobriram de "graffitis" as paredes do Tate Modern, em Londres. Um dos mais consagrados museus de arte moderna do mundo vestiu-se de cultura urbana e não deixa indiferente quem passa por Bankside.“À primeira vista parece um homem com uma arma, mas é um homem com uma câmara!”, afirmava uma visitante à porta do Tate Modern, a um entrevistador da BBC que lhe perguntava o que achava do grafitti do fotógrafo francês JR, que representa um homem gigante de olhar ameaçador com uma câmara na mão. Mesmo para quem não quiser entrar no Tate Modern, pode sempre observar os coloridos "graffitis" que ornamentam desde a semana passada a fachada do, até então, monocolor do museu. A grande maioria dos artistas confessa que parte dos seus trabalhos foram criados de forma ilegal. Este projecto permitiu levar, de forma legal, as cores e imagens dos vários universos artísticos do "graffiti" para uma das mais conceituadas instituições inglesas ligadas à arte.A iniciativa, intitulada "Street Art at Tate Modern", patente até ao dia 25 de Agosto, tem como principal objectivo criar a primeira exposição de "graffitis" nas paredes de um grande museu. Entre os mestres da arte do "spray", destacaram-se o italiano "Blu", fascinado pelo corpo humano, o colectico novaiorquino "Faile", que elegeu o hip-hop como tema, o fotógrafo parisiente "JR", que opta por um universo a preto e branco, os brasileiros "Nunca", que usam cores quentes e objectos representativos da sua cultura, como o café, ou o colectivo “Gémeos”, também do Brasil, muito influenciado pelos artistas indianos e ainda os espanhóis "Sixeart", com um estilo abstraccionista psicadélico.Paralelamente às representações no Tate Modern, obras de cinco artistas madrilenos foram distribuídas pelo quarteirão de Southwark, símbolo do renascimento da zona sul da capital inglesa. Do outro lado da ponte Millenium, o mesmo universo colorido e irreverente estende-se pelas ruas.Em Soho, Hoxton ou Brick Lane, as galerias especializadas nesta arte multiplicam-se. Em Fevereiro, a loja “Bonham" organizou um leilão para venda de graffitis que atingiram preços recorde. Ainda recentemente, os habitantes de Bristol mobilizaram-se para conservar os murais do seu “enfant terrible”, Banksy, que recentemente organizou um festival de "graffiti" com 40 artistas.

“A arte é tão importante que pode legitimar as mais horríveis ideologias”

O que faz um historiador de arte?
Um historiador de arte procura ler, interpretar e devolver memória a arquitectura, escultura, pintura, têxteis, gravura. Isto é, tenta que o objecto de arte que teve já um papel determinado pela História em determinado momento - medieval, moderno ou contemporâneo -, volte a ter o papel de encantamento, de testemunho. Que volte a ter um papel de trans-memória relativamente ao público que olha para ele.
Esse conceito de trans-memória é muito caro para si.
A obra de arte é o único objecto criado pelo homem que é vivo. Tem uma dinâmica dialéctica, trans-contextual, que é permanentemente renovada porque vai gerando permanentemente novos públicos.
Cada época tem um olhar sobre a mesma obra de arte?
A obra de arte escapa ao autor e ao público. Não basta ao historiador de arte saber quem fez e quando, quem é que a encomendou, porque isso explica apenas uma pequena parte do problema. O grande problema é: o que é que a obra é?
É sempre um exercício subjectivo.
Pode haver margens de erro, mas deve haver o mínimo. O historiador deve ter rigor para interrogar a obra com objectividade, cumprindo a metodologia que lhe cabe, trabalho de laboratório, estudo comparativo. Mas é claro que a obra, por regra, é inesgotável. Toda e qualquer obra de arte é inesgotável.
O historiador de arte é o intérprete ou o mediador entre o autor e o público.
Perfeitamente. É um intérprete crítico, com um papel activo, mas tem que ter primeiro que tudo uma grande humildade relativamente ao objecto. Interrogá-lo, descobri-lo, desvendá-lo. E parar quando a obra não revela mais…
Como é que se atinge essa percepção de que não há mais significados escondidos?
O erro é humano e normal. Tentamos errar o mínimo...
Nunca fica com a sensação de que há em determinada obra mais qualquer coisa escondida?
Sim e é normal que se volte a ver obras que já vimos, que tivemos que estudar noutros momentos, e dar-lhes um bocadinho mais. Nós evoluímos e a própria obra pode revelar aspectos que não eram intuíveis num primeiro momento.
Houve algum bem artístico que lhe tenha dado especial prazer estudar?
Hoje (dia 21 de Maio) vou falar aqui em Santarém da Capela Dourada, porque é um monumento da minha terra adoptiva que vejo desde pequenino, com o meu avô, com o meu pai. É uma magnífica capela barroca praticamente ignorada pelos escalabitanos, que tem estado fechada ao público. É uma obra que encaixa bem na pergunta que me fez. Foi desdobrando o encanto à medida que fui crescendo também com ela. A talha, a pintura, os rodapés, os retábulos barrocos, é uma unidade extraordinária do melhor barroco português que está ali encafuado naquele pequeno templinho ao lado da igreja do antigo hospital.
Grande parte da sua vida profissional é virada para o passado. Até que ponto isso determina a sua forma de analisar e viver o presente?
Gosto de definir o meu trabalho como de contemporaneidade. Porque toda a obra de arte é contemporânea. Pelo menos no momento em que olho para ela, em que a convoco para o meu tempo e tento entender os fascínios, os mecanismos que a fabricaram e que continuam a gerar empatia, ou não, relativamente a ela.
Agora também é verdade que tenho dedicado a minha vida a estudar o maneirismo, o renascimento, o barroco como períodos mais privilegiados. O proto-barroco é um período notável em Portugal e no antigo império português na arquitectura, na arte decorativa…
Qual dessas modalidades gosta mais de estudar?
Tenho estudado mais pintura, porque era o parente pobre. Em Portugal há milhares de quadros, frescos, alguns de muito boa qualidade e era a matéria mais urgente.
Todos os regimes marcantes têm habitualmente correntes estéticas associadas. A arte é uma forma de cimentar as ideologias?
Contrariando a ideia de que o património nasce inevitavelmente ligado a um momento de estabilidade ou de maior poderio económico, muito frequentemente nasce na mais rebelde vanguarda, na mais inóspita periferia. O fenómeno criativo tem outro tipo de regras. Depende do génio criativo mas depende fundamentalmente de uma conjuntura de rebelião, de comprometimento ideológico, da luta por ideais. A arte tem ideologia.
Isso aliás ficou bem vincado durante o regime nazi na Alemanha ou na extinta União Soviética.
Aí é diferente. Hoje está na moda denegrir o contributo do comunismo para o mundo. Estamos numa época neo-liberal em que se dá ideia que o comunismo não deu nada de bom. Convém distinguir e lembrar que há um contributo muito importante da esquerda a nível mundial que não é compaginável com o estalinismo. Confundimos tudo. E, nomeadamente no campo artístico, aquilo que foi criado naquele país feudal e que quebrou as grilhetas da tirania com o partido bolchevique, foi extraordinário.
Com o estalinismo as coisas mudam.
O estalinismo veio quebrar o fio condutor da criatividade e reprimir os criadores. E criou um regime sem grande qualidade, como também não tinha no campo hitleriano aquela caricatura de arte que em nome do combate à chamada arte degenerada foi criado para elogiar o regime fascista alemão. Evidentemente, a arte é tão importante que pode legitimar as mais horríveis ideologias.
Fado sim, touradas não
O centralismo cultural de Lisboa atrofia o país?
Numa altura em que está na moda atacar o Estado por tudo e por nada, creio que o Estado democrático tem um papel a cumprir nomeadamente na política cultural. Tem de haver um dirigismo competente e coerente que o Estado não cumpre. Lisboa é atacada não por ter um controlo a mais, mas por ter a menos. Defendo que deve haver mais Estado na cultura.
Em que sentido?
Deve haver uma melhor gestão dos monumentos que estão a cair, do património móvel que é vilipendiado, da política de restauro que não é feita. Enfim, são tantos problemas… Estamos a falar de bens públicos que não têm ideologia, que não têm carimbo, que nos comprometem em termos de futuro.
O abandono a que está votado o convento de São Francisco, em Santarém, é um exemplo dessa postura.
Houve uma altura em que confiámos muito, quando a câmara de José Miguel Noras levou a cabo uma tentativa de estudo integrado e um arranque do restauro que infelizmente não foi avante. Essa é uma das muitas nódoas que existem em Santarém a nível do património.
Que ligações tem com Santarém?
É a minha terra adoptiva. Aprendi a gostar muito dela com o meu avô, que era um ribatejano genuíno, e foi aqui que publiquei os meus trabalhos há mais de trinta anos. Vivi em Santarém bastante tempo.
A cidade tem potenciado o capital monumental que lhe é reconhecido?
Não. Houve uma candidatura falhada a património mundial e há trabalho válido feito por historiadores locais, arqueólogos e arquitectos. Mas nunca houve um programa de conjunto, nunca houve um inventário levado ao detalhe, nunca houve uma política de abertura desse património à comunidade. Há que trabalhar muito a nível pedagógico e do turismo cultural.
Chamar a Santarém capital do gótico é um exagero?
É! Mas é bonito. Para mais vindo de quem vem. O dr. Virgílio Correia nos anos 20 era o maior explicador medievalista português e a sua autoridade era inquestionável. Encontrou em Santarém três ou quatro monumentos relativamente intactos e uma quantidade de vestígios dos períodos românico e gótico que justificavam o título, não tanto pelo que ficou mas pelo que houve.
O seu pai esteve na génese do Politécnico de Santarém quando lutou pela criação da universidade do Ribatejo que nunca chegou a vingar. Santarém perdeu aí uma grande oportunidade de se afirmar no contexto nacional?
Na altura foi uma enorme polémica. Mas olhando para a realidade do país onde proliferam as universidades e as faculdades verificamos que muito provavelmente aquele projecto não era uma utopia. E a cidade hoje seria diferente.
É um entusiasta das tradições ribatejanas?
Gosto da etnografia da borda de água, da vida piscatória, é algo que me apaixona. Tal como o fado. A tourada não. É um espectáculo que desde pequeno me criava engulhos. Tem um lado bárbaro e violento e não mudei a minha opinião.


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