segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Duas agressões por semana


Fonte: Correio da Manhã

O Ministério Público registou nos primeiros seis meses deste ano, só no distrito judicial de Lisboa, 57 casos de violência nas escolas – o que corresponde a uma média de duas agressões por semana.
Segundo dados oficiais do Ministério Público divulgados pela Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGD), a maioria dos casos (34) ocorreu nos primeiros três meses do ano e 23 no segundo trimestre, com maior incidência em Almada – 21 casos registados neste círculo judicial, que abrange as comarcas do Seixal e de Sesimbra. Segundo apurou o Correio de Manhã, as principais vítimas são professores e auxiliares agredidos por encarregados de educação.
Este é o primeiro balanço sobre violência no meio escolar divulgado pelo Ministério Público no final de um ano lectivo, o que acontece na sequência da entrada em vigor da Lei de Política Criminal, em Janeiro, que atribuiu prioridade à investigação deste tipo de crimes.
No início do ano o procurador-geral da República, que chegou a criticar a ministra da Educação por minimizar o problema, deu instruções às procuradorias distritais para solicitarem às escolas que denunciassem todos os factos susceptíveis de integrar crimes de natureza pública no meio escolar.
No entanto, e até ao momento, só são públicos os dados do distrito judicial de Lisboa, que abrange 42 comarcas, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira, através da habitual avaliação semestral do trabalho do Ministério Público.
A violência em meio escolar foi assumida desde o início do mandato como uma preocupação do procurador-geral, mas o assunto só ganhou contornos mediáticos quando uma aluna de uma escola do Porto foi apanhada, num vídeo colocado na net, a agredir uma professora. Os docentes reuniram-se com Pinto Monteiro e este foi chamado para uma reunião com o Presidente da República, que terá ficado chocado com as imagens.
Após este episódio – que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, voltou a desvalorizar, considerando tratar-se de uma situação rara – o procurador-geral da República exortou os conselhos executivos das escolas a denunciarem todas as situações de violência, garantiu ter conhecimento de que há alunos que vão armados para as escolas e mostrou-se determinado a acabar com a impunidade neste tipo de ilícitos.
OS ALERTAS DO PROCURADOR
"Um miúdo de 15 anos que bate no professor e a directora, com medo, não participa, é uma situação tremenda." - Pinto Monteiro, Outubro 2007
"Tenho elementos seguros de escolas em que os alunos vão armados com pistolas de 6,35 e 9 milímetros." - Pinto Monteiro, Abril 2008
"A violência escolar funciona como uma espécie de embrião para níveis mais graves de criminalidade." - Pinto Monteiro, Junho 2008
CINQUENTA IDOSOS VIOLENTADOS
Pinto Monteiro tem repetido que "os idosos não têm voz" e, por isso, pediu às autarquias que comunicassem ao Ministério Público todos os factos susceptíveis de integrarem crimes de natureza pública praticados contar pessoas vulneráveis. Seis meses depois das instruções do procurador-geral, 51 casos de violência contra idosos foram registados na área do distrito judicial de Lisboa. Já a violência contra profissionais de saúde, outra das matérias que segundo a Lei de Política Criminal é de investigação prioritária, apenas deu origem a seis inquéritos, quatro dos quais no primeiro trimestre de 2008.
CASO DO PORTO COM CASTIGOS PARA ALUNOS
As imagens correram mundo – foi através de um vídeo do YouTube que o caso foi conhecido – e resultaram em semanas de discussão sobre o fenómeno da violência nas escolas. A agressão de uma aluna a uma professora da Escola Carolina Michaelis, no Porto, por causa de um telemóvel, resultou na transferência de escola da aluna e do colega que filmou a cena. O jovem foi castigado com vinte horas de serviço comunitário, a mesma pena aplicada a dois colegas que impediram o auxílio à professora. A agressora pediu desculpa à docente na audiência preliminar no Tribunal de Menores de Matosinhos e vai cumprir trinta horas de trabalho comunitário.
APONTAMENTOS
SENSIBILIZAÇÃO
Em Setembro, a Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap) irá realizar acções de sensibilização junto dos encarregados de educação para combater a violência escolar. A Confap, que também foi recebida pelo PGR, defende a proibição de uso de telemóveis nas salas de aula.
ESCOLAS PROBLEMÁTICAS
Segundo um estudo realizado pelo Observatório para a Segurança Escolar, as 32 escolas mais problemáticas, que foram alvo de medidas excepcionais de apoio da parte do Governo, localizam-se na Grande Lisboa (17) e no Grande Porto (15).
SOS PROFESSOR
A linha SOS Professor, criada no início de Setembro pela Associação Nacional de Professores, registou 208 pedidos de ajuda nos primeiros seis meses de funcionamento.
"PROBLEMAS SOCIAIS TÊM REFLEXOS NA ESCOLA" (Mário Nogueira, Secretário-geral da Fenprof)
Correio da Manhã – A maior parte das queixas de violência escolar é da Margem sul do Tejo. Há alguma justificação?
Mário Nogueira – É uma zona onde a taxa de desemprego é muito alta, com muita precariedade laboral e social. A existência de problemas complexos leva a actos de delinquência. É natural que, num contexto social complicado, os problemas se reflictam depois na escola.
– Já conheciam estas situações?
– A noção que temos é de que é uma zona em que é complicado trabalhar. Muitos dos professores que vão para Almada, Barreiro e Setúbal são jovens. Por vezes vê-se situações muito complicadas em que viviam, de pânico até.
– O número de queixas na Procuradoria-Geral da República está dentro do esperado?
– São números preocupantes, mas provavelmente estão aquém do que será a própria realidade. Haverá ainda muitas situações em que não são apresentadas queixas, mas não deixa de ser um número elevado. Qualquer caso de violência numa escola é sempre preocupante. E sabemos que o procurador-geral da República está preocupado.
– O que é que falta fazer para aumentar as denúncias?
– A escola ainda é muito burocrática. É preciso facilitar as denúncias. Mas já há muitos casos resolvidos dentro da escola.
NOTAS
BULLYING: UM EM CADA CINCO É VÍTIMA
Nas escolas básicas portuguesas um em cada cinco alunos é vítima de bullying, que inclui agressões e insultos. AAssociação Nacional de Professores lançou uma linha de apoio às vítimas
TELEMÓVEIS: NAS ESCOLAS
Um estudo do ISCTE revelou que 60 por cento dos alunos mantém o telemóvel ligado quando está na escola. A maioria diz que o telemóvel só é útil se estiver constantemente ligado
C. BEIRA: MÃE AGRIDE EDUCADORA
Uma educadora de um jardim-de-infância de Celorico da Beira foi agredida pela mãe de uma criança de seis anos por ter alertado para a falta de cuidados higiénicos com o menino

Ana Luísa Nascimento / Edgar Nascimento

sábado, 2 de agosto de 2008

Bienal de Cerveira: 30 anos a mostrar arte

Fonte: Jornal de Notícias

AGOSTINHO SANTOS
Por ocasião dos 30 anos da abertura da primeira Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira, inaugura-se, hoje, uma mostra retrospectiva com obras dos artistas premiados durante as várias edições do certame.
As comemorações atingem o seu "ponto alto" com a abertura, no Fórum Cultural de Cerveira, de uma grande mostra com obras, entre outros, de Helena Almeida, Ângelo de Sousa, Pedro Cabrita Reis, José Rodrigues, Pedro Calapez, Artur Bual, Pascal Nordman e Zadock Bem-David.
Trata-se de uma exposição que engloba pintura, escultura, vídeo, fotografia, instalação, constituída por trabalhos que ao longo dos anos foram distinguidos.
Foi a 5 de Agosto de 1978 que, sob a direcção do pintor Jaime Isidoro, abriu a primeira edição da Bienal que contou com a participação de 143 artistas, nomeadamente Albuquerque Mendes, António Quadros, Cruzeiro Seixas, Eduardo Luís, Eduardo Viana, Fernando Lanhas, Henrique Silva, Manuel Cargaleiro, Nadir Afpnso, Paula Rego, Sara Afonso e Vieira da Silva. Nesta primeira edição, não foram atribuídos prémios, mas foram homenageados Sara Afonso e Almada Negreiros.
A segunda bienal realizou-se de 2 a 21 de Agosto de 1980, também dirigida por Jaime Isidoro, e integrou trabalhos de 296 artistas. Nas áreas da pintura, escultura e desenho foram premiados, respectivamente, Ângelo de Sousa, José Rodrigues e Mário Américo.
Em 1986 (V Bienal), Jaime Isidoro reparte a responsabilidade da organização com José Rodrigues e a mostra conta com 201 artistas, sendo homenageado Santa-Rita Pintor. Nesta edição, é criado um espaço dedicado aos primeiros artistas abstractos portugueses, Arlindo Rocha e Fernando Lanhas.
Na VIII Bienal, que teve lugar de 29 de Julho a 27 de Agosto de 1995, o pintor Henrique Silva assume a direcção, função que exerceu até 2007, passando agora a ser ocupada pelo pintor Augusto Canedo. Em 1995, o grande prémio foi conquistado por Gerardo Burmester. Ana Vidigal, Armanda Passos, Armando Alves, Augusto Canedo, Eduardo Nery, Mário Cesariny, Pedro Proença e Silvestre Pestana foram alguns dos artistas que integraram a exposição.
Domingues Alvarez foi o homenageado da IX Bienal (1997) para a qual concorreram 439 autores, tendo sido seleccionados 237 artistas. Os prémios foram distribuídos por Joana Rego (pintura), Nuno da Silva (escultura) e Umberto Castro (revelação).
O fundador da bienal, Jaime Isidoro, foi o artista homenageado na X edição que teve o escultor Carlos Barreira como o vencedor do grande prémio, enquanto Márcia Luças obteve o prémio revelação.
Na XI Bienal, o espanhol Xurxo Oro Claro conquistou o Grande Prémio e Luís de Melo (revelação). Foram a concurso 677 obras e seleccionadas 235, enquanto que Artur Bual foi o homenageado.
Em 2003, o tema da XII Bienal centrou-se em "O artista e a globalização" e estiveram 17 países representados. Silvestre Pestana obteve o grande prémio.
Eurico Gonçalves foi o distinguido com o maior galardão da XIII Bienal (2005) e António Bronze e António Cruz os homenageados.
Na mais recente bienal (XIV), cujo tema foi "As novas cruzadas", em 2007, o grego Zadok Ben-David obteve o grande prémio.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Primeiro computador portátil português


Fonte Publico: 31.07.2008 - 09h16 Ana Rita Faria
O Magalhães, o primeiro computador portátil feito em Portugal, quer entrar nos lares de cerca de 500 mil crianças do ensino básico, mas a ambição dos seus fabricantes vai mais além. O objectivo do consórcio JP Sá Couto e Prológica, que, em parceria com a norte-americana Intel, vai produzir os primeiros portáteis nacionais a partir de uma fábrica em Matosinhos, é exportar a tecnologia e os equipamentos para o mundo.Actualmente, o consórcio está já em negociações com três continentes - África, Europa e América Latina, afirmou ontem Luís Cabrita, responsável da Prológica, à margem da apresentação do projecto Magalhães em Lisboa. Segundo Luís Cabrita, "o primeiro computador português é um projecto competitivo nos três continentes", o que vai permitir realizar a intenção do consórcio: "globalizar a marca Magalhães", que retirou o seu nome do navegador português Fernão Magalhães.O Magalhães vai começar a ser produzido num espaço que pertence à actual fábrica da JP Sá Couto, em Matosinhos, estando prevista a construção de uma nova unidade de fabrico na mesma zona, adiantou o responsável pela empresa, João Paulo Sá Couto.De acordo com o responsável da fabricante portuguesa, "a capacidade de produção actual da fábrica é de 40 mil unidades por mês" mas, com a nova unidade, "a capacidade aumentará mediante as encomendas".Em Setembro, vão começar já a sair os primeiros computadores portáteis portugueses da fábrica de Matosinhos directamente para as mãos de alunos entre os seis e os 11 anos. Segundo anunciou ontem o primeiro-ministro, José Sócrates, na apresentação do Magalhães, cerca de 500 mil computadores vão ser distribuídos aos alunos do primeiro ciclo ao longo do próximo ano lectivo.A iniciativa surge no âmbito do novo programa e.escolinhas, uma réplica do e.escolas, que vai abranger as crianças que frequentam o primeiro ciclo do ensino básico. Segundo José Sócrates, o computador Magalhães vai ser gratuito para os alunos que estejam inscritos no primeiro escalão da acção social escolar e custará 20 euros para as crianças no segundo escalão. Para os que não estão abrangidos nesse sistema, o preço do Magalhães é 50 euros.O custo de produção de cada um dos 500 mil computadores é, contudo, bastante superior - 180 euros. Isto faz com que o projecto de Matosinhos tenha um custo inicial de produção superior a 80 milhões de euros, explicou ontem José Sócrates aos jornalistas, à margem da apresentação.Segundo o primeiro-ministro, a diferença entre o custo de produção e o preço final do computador "Magalhães" será suportada pelo Estado e pelas entidades privadas envolvidas no projecto. José Sócrates adiantou ainda que a parte dos custos que vai caber ao Governo dependerá do número de pais que optar pelos contratos de ligações à internet disponibilizados pelos operadores de banda larga a apoiar o projecto - Portugal Telecom, Vodafone, Zon e Sonaecom.Segundo o primeiro-ministro, o computador vai ter, "numa fase inicial, em Setembro, 30 por cento de incorporação nacional, mas o objectivo é que, no final deste ano, esteja já nos 100 por cento, exceptuando o processador da Intel".Para além disso, o projecto Magalhães quer ir mais longe e estender-se para fora do país. "Queremos replicar o Magalhães e o programa e.escolinhas noutros países", afirmou José Sócrates. Segundo o primeiro-ministro, existem já "contactos com vários países, quer para vender o computador, quer o programa".

Educação terá investimento

Fonte: 30.07.2008 - 15h19 Lusa
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou hoje que o Governo irá fazer um investimento de 400 milhões de euros na área da Educação nos próximos sete meses, nomeadamente na instalação de Internet em todas as salas de aulas.

"São 400 milhões de euros que vamos investir nas escola portuguesa", afirmou José Sócrates, durante a cerimónia de apresentação do "Computador Magalhães", o primeiro computador portátil com acesso à Internet que será fabricado em Portugal.

Um dos projectos, adiantou, visa a instalação de Internet em todas as salas de aula. Além disso, irá ser aumentada a velocidade da banda larga nas escolas para um mínimo de 48 megabites por segundo.

O Governo pretende também, segundo o primeiro-ministro, instalar uma rede de vídeo-vigilância nas escolas para aumentar a segurança e pretende criar um novo cartão estudante, "para acabar com o dinheiro nas escolas". "O maior investimento nos próximos sete meses será na Educação", salientou.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Violência no namoro



Comportamento. Uma série de estudos de uma equipa de psicólogas da Universidade do Minho mostra que a violência nas relações amorosas nos jovens entre os 15 e os 25 anos atinge níveis preocupantes e idênticos aos verificados entre os adultos. Um dos aspectos mais alarmantes é que essa violência é cada vez mais precoce e por vezes aceite como 'natural' pelos próprios, incluindo o sexo forçado
Problema atinge o mesmo nível que entre os adultos
Existe "tanta violência" no namoro entre jovens dos 15 aos 25 anos como no casamento: 25% já foram vítimas de violência na relação. Mas o "fenómeno é ainda mais preocupante" nas novas gerações, que começam a agredir-se cada vez mais cedo, no ensino secundário e profissional. Pior, chegam a tolerar a violência sexual, pois, para eles, "relações sexuais forçadas não são o mesmo que violação, nem sequer são crime". O alerta é de Carla Machado, coordenadora de um projecto nacional sobre este fenómeno.

Para esta investigadora da Universidade do Minho (UM), em Braga, a violência "não é coisa de adultos que desaparece com a mudança de geração". A resposta encontrou-a no seu estudo sobre "violência física e psicológica em namoro heterossexual" - o mais avançado de sete de uma ampla investigação que está a coordenar com as psicólogas Marlene Matos e Carla Martins sobre "violência nas relações de intimidade" em jovens dos 15 aos 25 anos.

Em co-autoria com a psicóloga Sónia Caridade, a psicoterapeuta identificou níveis de violência física e psicológica no namoro muito próximos dos encontrados num outro estudo desenvolvido em 2003, no Norte do País, junto de 2900 adultos, mas em contexto conjugal.

A percentagem de vítimas chega a ser a mesma: dos agora 4730 jovens dos ensinos secundário, profissional e universitário, e que abandonaram a escolaridade inquiridos em todo o País, 25 % foram vítimas, pelo menos uma vez, de um comportamento abusivo da parte do companheiro ou companheira.

Dessas vítimas, 20% sofreram violência emocional (insultos, ameaças, jogo psicológico e coerção) e 14% agressão física. Dos 4730 jovens, 30% admitiram ter agredido o parceiro, sendo 23% agressão física, 18% emocional e 3% física severa. Nesta amostra, 58% são raparigas e 42% são rapazes.

Mas, o mais "alarmante" para esta psicoterapeuta da Unidade de Consulta em Psicologia da Justiça da UM, na área da intervenção individual e em grupo com vítimas de crimes, é haver uma maior prevalência de maus tratos físicos severos na população mais jovem - ainda no secundário. Os rapazes são os que agridem com maior gravidade (sovas, murros e pontapés). Já na pequena violência, não há diferença de género e vale tudo, desde insultos, bofetadas, empurrões, puxões de cabelos e até ameaças.

"Em geral, vítimas e agressores não percebem que a violência não é aceitável." Muitos deles "toleram" e chegam a "desculpabilizar" a violência, sobretudo quando ela é menor.

"Só fez aquilo porque estava descontrolado, perdeu a cabeça" ou "o descontrolo é porque tem medo de a perder. Não é violência". São frases que Carla Machado e Sónia Caridade recolheram junto dos 49 jovens dos grupos de reflexão deste projecto, que foram constituídos depois da aplicação do questionário aos primeiros 4730.

Alguns afirmaram que "violência sexual no namoro não existe. Agora, relações sexuais forçadas, já são outra coisa". Ou até: "Se eles namoram, não acho que seja violência sexual." Alguns não vêem mal nos apalpões, toques contra a vontade da vítima e a pressão para ter relações sexuais, que estão longe de serem violação, algo que já consideram errado. O ciúme é tido como prova de amor. De resto, os níveis de violência física e psicológica no namoro são muito parecidos com os identificados nos outros países.


Em memória do meu Pai (hoje estou mais pobre)


Nada
Nem sequer um olhar
No quarto
A cama vazia
No jarro, a flor murcha
Sem falar
Ninguém
Sem dizer coisa alguma
Atravessando o espaço
A alma
Estava em toda a parte
Segurando tudo
Serena.
A despedida necessária.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Bullying envolve 65% dos alunos


Quase dois terços dos alunos (64,7%) do 3º ciclo da Grande Lisboa estão envolvidos em fenómenos de bullying, de acordo com um estudo divulgado ontem na 4ª Conferência Internacional sobre Violência Escolar e Políticas Públicas, a decorrer até amanhã em Lisboa.
A investigação conduzida pela psicóloga Sónia Seixas, da Escola Superior de Educação João de Deus, envolveu 680 alunos dos 7º, 8º e 9º anos de 11 escolas de Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Sintra. Dos inquiridos, apenas 35,3 por cento disseram não estar envolvidos em bullying, enquanto 30,1% dizem ser vítimas, 11,6% se assumem como agressores e 23% apresentam um padrão misto. O estudo conclui que as vítimas têm níveis mais baixos de auto-estima, sentem-se rejeitados e têm pouca confiança em si, enquanto entre os agressores se passa exactamente o oposto.
'É preciso sensibilizar a escola para este fenómeno, que causa grande sofrimento. Em última análise, as vítimas pensam no suicídio', alertou Sónia Seixas.
Na sessão de abertura da conferência, que trouxe a Lisboa especialistas de 51 países, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considerou que a violência escolar é um fenómeno residual, frisando que '90 por cento dos casos ocorre em cinco por cento das escolas'. A governante sublinhou ainda que não se pode confundir 'violência com indisciplina'.OpsiquiatraDaniel Sampaio refutou a ideia da ministra: 'Quando se diz que indisciplina nada tem a ver com violência não estamos no bom caminho. A indisciplina cria condições favoráveis ao aparecimento de violência.'
Já o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, que nos últimos meses denunciou a violência escolar, reafirmou que o fenómeno não pode ser ignorado, mas considerou que 'a situação é hoje melhor do que há um ano', destacando o aumento do número de denúncias.
QUAIS OS SINAIS DE ALARME
A investigadora Sónia Seixas aponta diversos sinais a que os pais, professores e funcionários das escolas devem estar atentos para detectar casos de bullying. No caso das vítimas, os livros, o material escolar e outros bens aparecem muitas vezes estragados ou desaparecem. Ferimentos, cortes, arranhões ou danos na roupa podem também ser sinais de bullying. Muitas vezes são alunos isolados nos intervalos, que podem procurar mais a proximidade com o professor ou com outros adultos. Receosos de ir à escola, têm queixas frequentes de dores de barriga ou de cabeça e manifestam pouco interesse pela escola.
Os agressores revelam muitas vezes raiva descontrolada, são impulsivos e zangam-se facilmente; Retiram satisfação do medo que provocam às vítimas, gostam de provocar os pais e os professores e envolvem-se precocemente em comportamentos anti-sociais.

NOTAS
O QUE É O BULLYING
Conceito que descreve actos de violência física ou psicológica de carácter sistemático que causam sofrimento físico ou emocional.
REALIDADE ESCONDIDA
Bullying não-físico passa despercebido e as queixas são poucas
Bernardo Esteves

sexta-feira, 20 de junho de 2008

São Tomé e Príncipe - A Bienal


De 26 de Junho a 26 de Julho, São Tomé e Príncipe vai ser palco da V Bienal de Arte e Cultura, que este ano contará com a participação de nomes das artes visuais de São Tomé (Eduardo Malé, Kwame de Sousa, Nezó, René Tavares, entre outros), mas também de artistas portugueses (como Ângela Ferreira, Inês Gonçalves, João Tabarra e Miguel Palma) e de outras nacionalidades. Quase não dá para acreditar que um país africano tão pobre e tão pequeno possa organizar um grande evento internacional. A ambição do Centro Internacional de Arte e Cultura (CIAC) é grande, mas a programação promete estar à altura. Sob o tema “Partilhar Territórios”, esta edição da Bienal é, acima de tudo, uma proposta de diálogo que pretende tornar real o conceito de que a arte aproxima os homens.Na Casa da Cultura estará patente uma exposição sobre o exílio de Mário Soares em São Tomé. No antigo cinema será exibido um documentário sobre as primeiras décadas do país, cedido pelo Arquivo do Instituto Marquês de Valle Flor. Serão apresentados espectáculos de dança, além de paradas, procissões e várias expressões culturais de São Tomé (como a tradição do Tchiloli, um teatro de rua que reporta à Tragédia do Marquês de Mântua e de Carlos Magno). Mas o núcleo central da Bienal é uma exposição internacional de arte contemporânea que vai realizar-se nas Antigas Oficinas das Obras Públicas, um espaço industrial que é um verdadeiro assombro e que promete marcar este momento de viragem, tornando São Tomé um verdadeiro entreposto cultural.