sexta-feira, 6 de março de 2009

Artista usa a própria cabeça para criar arte


Levi van Veluw é um artista multidisciplinar holandês que pensa na arte de uma forma diferente.
Como forma de mostrar as suas obras, este artista utiliza a sua própria cabeça para criar as suas obras. Assim, a cabeça do artista transforma-se em floresta, estátua de pedra e muito mais.
Levi van Veluw utiliza vários materiais para produzir e dar forma às suas obras, como pedras, musgo e até iogurtes. Exibindo em fotografias a sua arte, o artista cola os materiais na sua própria cara e fotografa-se.
Um trabalho de muita paciência e sem manipulação digital que já foi exibido na Europa, nos Estados Unidos e na China.

Fonte: IOL

Artista plástico estreia exposição individual


Luanda – O artista plástico Sozinho Lopez vai expôr a sua primeira obra individual denominada “O 5º Ano” em Abril deste ano, no Salão Internacional de Exposições da União Nacional dos Artistas Plásticos(UNAP), em Luanda.

A amostra, que contará com mais de vinte obras de pintura concebidas em estilo figurativo, aborda diversos aspectos da sociedade angolana, com particular atenção sobre a valorização que se deve dar permanentemente aos aspectos culturais angolanos.

Em declarações hoje à Angop, Sozinho Lopes, que já participou em diversas exposições colectivas dentro e fora do país, refere que os símbolos e as máscaras nacionais, anexadas à modernidade representam as suas preocupações artísticas.

"Há necessidade de trazer aos olhos da sociedade a essência da angolanidade ante a modernidade que atravessa os nossos hábitos e costumes. Logo, eu vou ao encontro dos rituais e das máscaras e trago a alma do povo, recreada, demonstrando, assim, que o moderno e o passado podem conviver", referiu.

Em cerca de cinco anos, depois da sua formação média, o pintor disse ter praticado e pesquisado bastante pelas províncias do país a essência da arte angolana sempre no intuito de reflectir-se sobre o passado e perspectivar o futuro.

"O 5º Ano representa assim a entrega pela arte, os contactos com artistas que já algum tempo lidam com a criação, com realce para o pintor e escultor António Gonga, que muito me ajudou a seguir este caminho", salientou.

"Diálogo fechado", "A dança bale, expressão cultural II", "Mona diala", "Fragmento de um mundo místico II" e "Vozes de outros sons e ritmos", fazem parte do conjunto das pinturas a expôr e executadas por Sozinho Lopes nas técnicas de óleo e de acrílico sobre tela, assim como técnica mista.

Nascido a 17 de Fevereiro de 1976, na província do Uíge, Sozinho Lopes fez o curso médio de artes plásticas em 2003 no Instituto Nacional de Formação Artística (INFA).

Presente em colecções institucionais e particulares, o pintor já obteve, em 2006, a menção honrosa do Prémio Cidade de Luanda e uma distinção no concurso " Desenho na Areia" da empresa petrolífera norueguesa Nosrk Hydro.

Em 2007 foi galardoado como o segundo classificado do concurso mural de pintura da Embaixada dos Estados Unidos em Angola sobre a vida e obra do Martin Luther King (activista na luta contra o racismo nos EUA) e o Grande Prémio Ensarte de Pintura, sendo que em 2008 venceu o Prémio Cidade de Luanda em Pintura.
Fonte:Angola Press

domingo, 8 de fevereiro de 2009

ARCO em Madrid


Gayatri Gamuz






Parece estranho, mas é mesmo assim. Muitos portugueses vão à ArCo, feira de arte contemporânea em Madrid, comprar obras portuguesas aos galeristas portugueses. Dos cerca de 150 mil visitantes, uns 15 mil serão oriundos de terra lusitana. "Mesmo pessoas que habitualmente não frequentam museus ou galerias visitam a ArCo", diz José Mário Brandão, da Galeria Graça Brandão (Porto). "É um pretexto para viajar, e nós, portugueses, gostamos de pretextos." Não se trata, portanto, de um fenómeno acidental, como o de alguém que compra uma fabulosa T-shirt em Londres e só mais tarde depara com a etiqueta Made in Portugal. Aqui a revelação é ante facto. Aliás, é intencional, pois parece que há quem, mesmo frequentando galerias em Portugal, prefira comprar na ArCo as obras que viu lá expostas. Ao galerista cabe o encargo de as voltar a trazer para Portugal e as entregar cá ao feliz comprador, o qual assim já pode dizer que comprou aquilo na ArCo.

Há várias razões possíveis para justificar essa tradição. Desde logo, obviamente, a falta de tempo para frequentar galerias. Depois, uma certa impressão de que as galerias levam o melhor do seu acervo aos eventos internacionais - não apenas à ArCo como à Feira de Basel (com extensão em Miami) e à Frieze em Londres, ainda mais importantes. Por último, há a vantagem de poder apreciar o que aqui se faz no contexto do que se faz em todo o mundo. Em torno da ArCo existe uma série de eventos paralelos, com uma feira concorrente (a Madrid Art Fair) e inaugurações em inúmeras galerias que aproveitam a presença maciça de apreciadores de arte na capital espanhola. Há também o lado social; inauguração com a presença dos reis (este ano vai o príncipe Filipe), almoços, jantares, conferências... "Esta é mais feira do que a de Basel ou a Frieze", diz José Mário Brandão. A vida nocturna também é importante, com cafés como o Chicote e o Cock a assumirem papel central.


12 galeristas portugueses vão à ArCo 09 mostrar os seus artistas

As pessoas que visitam a feira são as que se esperaria que fossem. Empresários, gestores, advogados, médicos e outros membros das classes trabalhadoras com algum disposable income e apetite cultural à medida. Quem circula pela ArCo não demora muito a dar por eles. A toda a hora se ouve falar a nossa língua, ainda que num tom de voz normalmente discreto, como é próprio de tal gente. Por vezes o conhecimento técnico impressiona. Na memória deste jornalista ficou uma conversa do ano passado sobre uma peça conceptual que consistia essencialmente numa enorme folha de papel dobrada em muitas partes. Essa folha tinha uma espécie de areia preta que se ia deslocando em diferentes sentidos. Quando a discussão atingiu o ponto em que alguém referiu a existência de uma peça semelhante algures no universo, o jornalista sentiu-se como o proverbial boi em frente ao palácio. Desesperado, foi em busca das familiares delícias da arte figurativa. Rapidamente as encontrou, pois a ArCo, ao fim e ao cabo, é um evento comercial, onde nem faltam primorosos retratos hiper-realistas a óleo.

Na arte contemporânea desapareceu o paradigma dominante. Passadas as grandes revoluções do século XX (surrealismo, dadaísmo, expressionismo abstracto, arte pop, etc.), entrou-se num período em que tudo é possível. Mais que possível, legítimo, no sentido de não haver ninguém, ou quase ninguém, que se atreva a dizer que aquilo não é arte.

Em 27 anos de existência, a ArCo mudou bastante. Transferiu-se da Casa del Campo para o recinto da Ifema e passou de evento essencialmente ibérico a uma feira que tenta cada vez mais atrair o grande coleccionador europeu e americano. Hoje em dia chama a atenção pela dimensão. Com cerca de 200 galerias, é uma feira grande e espaçosa. Trata-se de um espaço que, além da arte, é usado para mostrar móveis, automóveis e animais de companhia. Num dos andares ficam os standes maiores, no outro os mais pequenos, que não podem exceder 40 metros quadrados. Há também espaços de performances e conferências. "Como é feito em Madrid, é uma coisa altamente subsidiada - pelo governo, pela região, etc.", diz Carlos Carvalho, da galeria homónima. Há sempre um país convidado, e hoje em dia eles vêm com frequência do chamado mundo emergente. O ano passado foi o Brasil, este ano vai ser a Índia, um mercado que tem crescido exponencialmente ao longo dos últimos anos. 13 galerias e 50 artistas, seleccionados pelo curador Bose Krisshnamachari. Sendo este um assunto artístico e falando-se de Portugal, não podia faltar uma polémica sobre dinheiro. Este ano a polémica, como sempre, teve a ver com critérios. O Governo acha que foi generoso ao oferecer-se para, a título excepcional e em atenção à crise, cobrir os prejuízos que as galerias possam vir a ter até um limite de 20 mil euros. As galerias acham que o Estado tem obrigação de apoiar a internacionalização da arte portuguesa.


Para os artistas portugueses, esta é uma montra privilegiada para o mercado internacional

"A arte está bem, o mercado é que está mal", diz Luís Serpa, da galeria com o mesmo nome. "Pela primeira vez, a arte e as antiguidades não são refúgio. Deduzo que o cash-flow desapareceu." A crise nota-se na frequência e nas compras, sobretudo por parte dos institucionais. Para os galeristas, a ArCo já não é uma garantia de negócio, e o investimento tem de ser feito à medida. "Quando levava uma escultura de cinco metros de Rui Chafes, era uma aposta. Hoje em dia já não levo peças desse tamanho", diz José Mário Brandão.

Com todas as dificuldades, espera-se que a ArCo registe a habitual afluência maciça, uma afluência que já em tempos forçou Luís Serpa a fechar o stande com fita adesiva. E se isso significar que apareçam algumas pessoas a fazer observações e perguntas tontas, tanto pior. De resto, isso cada vez acontece menos. As mais comuns são do tipo: "Isto também eu fazia." Frederico Sequeira, da Galeria Mário Sequeira (Braga), conta que o ano passado apresentou uma instalação que incluía alguns livros no chão. "Isto está um bocado desarrumado", comentou alguém. Também há quem se queixe dos preços, o que em princípio é legítimo, nesta como em qualquer outra área de negócio. Uma vez, um visitante chegou ao stande de uma galeria espanhola e, vendo um quadro de Mark Rothko na parede, perguntou: "Por curiosidade, quanto é?" Sem se voltar, a galerista respondeu: "Por curiosidade, eu não estou aqui." Ainda falando em dinheiro, consta que a mulher de um primeiro-ministro português se escandalizou por haver artistas nacionais a um preço tão alto: "Vou já dizer ao meu marido!" Também há a história daquele miúdo que, vendo uma obra de Miró, perguntou quantos anos tinha o artista quando a fez. Nem todas as galerias reagem igualmente à crise. Algumas desistem de viajar, outras dão preferência a feiras que não a ArCo. Cristina Guerra, Filomena Soares, Paulo Amaro, Graça Brandão, Mário Sequeira, Pedro Oliveira, Presença, Quadrado Azul, Carlos Carvalho, Fonseca Macedo, Fernando Santos, António Henriques são, até nova ordem, os nomes dos resistentes. De 11 a 16 de Fevereiro, lá estarão elas na ARCOmadrid 2009 à espera dos clientes. Os habituais e os outros.


Texto publicado na edição do Expresso de 7 de Fevereiro de 2009
















Feria InternacionalParque Ferial Juan Carlos I




28042 Madrid




Fone: +34 91.7225017

domingo, 7 de dezembro de 2008

Novos artistas alemães













Novos artistas alemães conquistam mercado mundial da arte

Tim Eitel pinta figuras de um mundo resignado
Em vez de conceitualismo, videoarte e instalação, foi o realismo figurativo que garantiu a penetração dos novos artistas alemães, após a queda do Muro, no mercado mundial da arte.

A partir do início dos anos de 1990, o mundo experimentou o fenômeno que ficou conhecido por revolução digital. Para acompanhar o desenvolvimento dos novos meios, foram inauguradas, na Alemanha, escolas como a Academia de Arte e Mídia (KHM), em Colônia, e o Centro de Arte e Mídia (ZKM), em Karlsruhe.

No entanto, em vez do esperado desenvolvimento em direção à videoarte ou à instalação, a arte alemã, a partir da última década do século 20, foi marcada pelo ressurgimento da pintura figurativa como forma de expressão artística e pela fusão da arte com a fotografia, cujo valor de mercado passou a se igualar ao das obras de pintura.

Entre os principais representantes da nova geração de fotógrafos alemães, estão Candida Höfer, Thomas Struth, Thomas Ruff e Andreas Gursky. Na pintura, destacam-se principalmente jovens artistas da pintura figurativa, como Neo Rauch, Tim Eitel, Norbert Bisky e Sophie von Hellermann, entre outros.

Após a reunificação da Alemanha, em 1990, observou-se também o deslocamento do eixo artístico situado entre Colônia e Düsseldorf em direção ao Leste do país. Berlim despontou como pólo atraente de artistas e galerias e, com o ressurgimento da pintura figurativa realista, Leipzig tornou-se uma das principais metrópoles artísticas do país.

Melancolia pós-hedonista

Artistas alemães consagrados, como Gerhard Richter, Sigmar Polke e Rosemarie Trockel chegaram ao século 21 como os mais bem cotados artistas do mundo, segundo o ranking da revista alemã de economia Capital.

No entanto, a ascensão da nova arte alemã no mercado internacional, a partir dos anos de 1990, deveu-se, tanto na fotografia como na pintura, à preferência que o mercado de arte norte-americano passou a dar aos jovens artistas alemães.

Além do caráter representativo de lifestyle que a arte assumiu, nos últimos anos, as razões deste sucesso se encontram na reação estética provocada pela revolução digital na pintura e na fotografia e nos temas abordados pelos novos artistas.

Poucos são os fotógrafos que não trabalharam suas fotos em computadores, poucos são os pintores que não pintaram suas telas a partir de fotografias. A arte alemã da virada do século tematizou a globalização, a melancolia pós-hedonista, o esvaziamento do espaço público e a história alemã a partir de 1989.

Andreas Gursky e outros artistas

Figurativa e realista, a pintura se aproximou do Realismo Socialista, desponjando-a de qualquer ameaça intelectual. A fotografia, resgatada como expressão artística, retratou subúrbios desolados, fachadas industriais sombrias, retratos enormes e paisagens longínquas e vazias. Sobretudo os alunos de Bernd e Hilla Becher, na Academia de Belas-Artes de Düsseldorf, despontaram no mercado internacional.

Nomes como Candida Höfer, Andreas Gursky, Thomas Struth e Thomas Ruff conseguiram elevar o valor da fotografia ao das obras de pintura. Em 2007, o díptico 99 Cent II, de Andreas Gursky, foi leiloado em Londres por 1,7 milhão de libras (cerca de 2,3 milhões de euros).

Esta é uma cifra impressionante, se considerarmos que o curso de Fotografia da Academia de Belas-Artes de Düsseldorf, o primeiro da Alemanha, foi instituído somente no início dos anos de 1970 e que, até o início da década de 1980, o público especializado ainda discutia o valor artístico da fotografia colorida.

Despojada de qualquer mensagem

Entre os novos pintores, destacam-se os artistas do grupo em torno de Neo Rauch, denominado de Neue Leipziger Schule ou Nova Escola de Leipzig, oriundos da Academia de Artes Visuais de Leipzig.

Escola de Leipzig foi o nome cunhado para os artistas da cidade que expuseram na documenta 6, em 1977, cuja pintura era figurativa e engajada. Mesmo depois da queda do Muro, Arno Rink, aluno destes pintores, continuou a ensinar técnicas da pintura clássica na Academia de Artes Visuais de Leipzig. Rink formou a segunda geração da Escola de Leipzig.

Tecnicamente perfeita, mas despojada de qualquer mensagem e com motivos que lembram o Romantismo, a terceira geração da Escola de Leipzig ficou conhecida como Nova Escola de Leipzig.

Televisão, computador, internet

Entre os mais célebres representantes deste novo realismo da Academia de Artes Visuais de Leipzig, estão Neo Rauch e Tim Eitel. Em seus quadros, Rauch retrata a convivência pacífica de trabalhadores socialistas, nostálgicos postos de gasolina e figuras de história em quadrinhos. Tim Eitel aposta na contemplação serena de suas figuras realistas que parecem meditar num pano de fundo abstrato.

Norbert Bisky, que nasceu em Leipzig mas estudou em Berlim, consegue unir o homoerotismo ao Realismo Socialista ao retratar garotos louros que brincam sobre dunas.

A bávara Sophie von Hellermann, uma das poucas artistas que não pinta a partir de fotografias, mistura cenas de seu mundo pessoal com personagens da literatura, do cinema ou da história.

Estes jovens artistas incorporam a mudança de paradigma da cultura analógica para a cultura digital. Se, para alguns, sua mescla de mistério e cultura pop é motivo de críticas, para outros, é a fonte de onde bebe a nova arte. Sem ideologias, eles retratam a atualidade de um mundo resignado e sem perspectivas.

Eles mesmos são filhos da cultura de consumo pós-moderna e do capitalismo digital. Aprenderam a perceber a realidade não a partir do objeto real, mas através da televisão, do computador, da internet. Sua obra espelha o desejo de uma geração jovem – que muitos chamam de conservadora – por segurança, por ideais românticos, por laços sociais e por comunicação, em tempos de extremo individualismo.

Carlos Albuquerque